A importância de se viver a infância

Orientadora pedagógica fala sobre os cuidados durante o desenvolvimento infantil

Para explicar os cuidados com o desenvolvimento infantil, a orientadora educacional do Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré, Christiane Chaves, parte dos conceitos de infância. “Ser criança é a expressão da liberdade, ser curioso, carinhoso. É a melhor idade, quando ainda estamos desprovidos dos anseios que virão com a vida adulta. Ser criança é gostar da vida e saber vivê-la”, define a orientadora.

Entretanto, ela observa uma diferença em ser criança atualmente, devido às mudanças nos hábitos, crenças e valores que foram se moldando às exigências mundiais. “As crianças continuam à semelhança de Deus, tal como, foram concebidas, mas o mundo que as cerca, seus familiares, a rotina e a maneira de ser e de viver, foram sendo alteradas pelas demandas sociais e pelo efeito da globalização”, afirma Christiane Chaves.

Segundo ela, o mundo passa por impactos importantes no modo de viver e conviver, “adultizando” as crianças em meio ao acesso fácil e rápido favorecido pelo uso das tecnologias e a necessidade de isolamento nos últimos anos de pandemia. “Brincadeiras como correr, brincar de roda, pular amarelinha, ouvir histórias contadas pela voz dos mais velhos, conhecer e socializar com os vizinhos, foi sendo automatizado pelo consumo de diferentes mídias. A convivência social, o estímulo às atividades físicas, ao ar livre, tão importantes ao desenvolvimento infantil, foram sendo suprimidas e/ou consumidas pela rotina familiar”.

Ela analisa ainda que o consumo excessivo de diferentes tecnologias, passou a influenciar diretamente no desenvolvimento das crianças e afetando-as negativamente. “Temos o risco à maturação cognitiva, às relações interpessoais e ao desenvolvimento da empatia, sendo precursoras de dificuldades de expressar-se, de externar sentimentos e de se comunicar com o outro”, afirma Christiane.

A mudança na realidade econômica, juntamente com a ampliação do acesso das crianças às informações do mundo adulto, transformou drasticamente as crianças, como aponta a orientadora. Porém, ela diz não acreditar na perda da infância como é estudado no meio pedagógico. “Nos dias atuais, a infância se configura e se reorganiza quotidianamente, numa sociedade plural, na qual os valores não mais são fixos, mas abertos à busca de novos consensos”.

A orientadora também faz uma citação de Ângela Maria Costa, coordenadora do Núcleo da Aliança pela Infância. “Permitir que uma criança seja infantil é a melhor pré-condição para que ela se torne realmente um indivíduo pleno, e não somente parte de uma sociedade organizada. Proteger a infância, lutar pelos direitos da criança, pelo direito de ser criança, pode nos ajudar a descobrir novamente, dentro de nós, as qualidades infantis (honestidade, confiança, compaixão) trazendo-as para o mundo adulto, a fim de humanizar nossa cultura”.

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