A influência de nossa criação naquilo que entendemos como amor

Especialista em inteligência emocional explica o verdadeiro significado da infância na vida adulta e de como o amor pode ser fortalecido entre pais e filhos..

Ontem, dia 23, foi comemorado o Dia do Filho, data criada com o intuito de fortalecer as relações familiares e reflexões sobre o verdadeiro amor. Todos desejam amar e serem amados, mas é difícil parar para analisar que muitos dos nossos atos vão de encontro a este sentimento tão desejado, mas pouco sentido. No entanto, Heloísa Capelas, especialista em inteligência comportamental e Diretora do Centro Hoffman, afirma que a resposta para esta dificuldade está na infância de cada um.

“Aquilo que aprendemos a chamar de amor em nossas casas, quando ainda éramos pequenos, é exatamente aquilo que aceitamos e praticamos como forma de amor na vida adulta. E, assim como nós aprendemos o significado de amor com nossos pais e cuidadores, nossos filhos também aprenderam conosco, por cópia e repetição”, diz.

Por isso, ainda de acordo com Heloísa, para que os pais possam, de fato, ensinar o que é amor aos filhos, é necessário uma avaliação e entendimento do que este sentimento foi para eles nos primeiros anos de vida. “Antes de desejar, criticar ou validar o amor que vem de fora, devemos reestabelecer e renovar os nossos laços com o amor que vem de dentro, o amor-próprio. Do contrário, continuaremos com os olhos voltados para fora e permaneceremos à espera de respostas e mudanças externas”, conclui a especialista.

Como o autoconhecimento pode ajudar pais e filhos a estabelecerem relações de infinito amor?

Na busca por mais inteligência emocional para os filhos, muitos pais esbarram na própria falta dessa habilidade. A verdade é que, ainda hoje, lidar com as emoções dos outros pode ser uma tarefa muito difícil para muita gente, porque, afinal, grande parte dessas pessoas tem dificuldade em lidar com as próprias emoções.

Em outras palavras, via de regra, os adultos de hoje não tiveram treinamento, desenvolvimento, muito menos sabiam da existência da Inteligência Emocional. O que aprenderam, ainda pequenos, é que não podiam chorar, rir muito ou sentir raiva, por exemplo. A grande questão é que essas emoções básicas – alegria, tristeza, raiva, medo e amor –, são expressadas muito claramente pelas crianças. Nós nascemos com elas, quer dizer, nascemos com medo, com nossa capacidade enorme de amar, ficamos tristes, ficamos alegres e com raiva. Isso faz parte do humano, mas, mesmo assim, não sabemos lidar com nada disso, porque aprendemos na infância que expressar essas emoções era errado.

A questão é que, se aprendemos isso assim, se fomos ensinados a não expressar essas emoções, é claro que crescemos e nos tornamos incapazes de lidar com elas apropriadamente. Pior que isso: quando, então, assumimos o papel de pais, repetimos o mesmo processo com nossos filhos.

Basta que expressem, aberta, escancarada e despudoradamente suas próprias emoções (como crianças puras e inecentes que são), e pronto! Sabe o que a maioria de nós faz? Repete as broncas que recebeu dos pais:

“Menino não chora”
“Por que você está rindo? Viu um passarinho verde?”
“Ah, vai chorar? Aguarde que eu vou te dar um bom motivo pra chorar”.

Bem, não precisaria nem dizer, mas… O resultado disso é que essas crianças, assim como nós, terão dificuldades em lidar com as emoções! Afinal, é impossível esperar ou cobrar que se tornem seres superamorosos e inteligentes emocionalmente se nós mesmos estamos contribuindo para cercear suas emoções. E é sempre importante dizer: quem não é capaz de expressar a dor ou a raiva, também não é capaz de expressar o amor.

“O meu maior conselho sempre é: para viver melhor em família, é preciso respeitar a expressão de emoção das crianças. Então, autorize-as. Pode chorar, sim; sentir raiva, sim; mas, de maneira adequada”, explica Heloísa.

 

Expert em Autoconhecimento e Inteligência Comportamental, considerada uma das maiores especialistas no método Hoffman, no Brasil. Palestrante, Coach, Master Practitioner em PNL, Consteladora Sistêmica, autora de “O Mapa da Felicidade” e coautora de mais sete livros sobre Gestão de Pessoas, Liderança e Coach. É diretora do Centro Hoffman

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