Atenção com a saúde nasal na volta às aulas pode evitar confusões com doenças, como a Covid-19

Com a mudança de clima e polinização, sintomas comuns de outras doenças respiratórias, como espirros, tosse e coriza, podem gerar más interpretações e até constrangimentos

Com o avanço da vacinação, a volta às aulas presenciais passou a ser um tema discutido em vários setores da sociedade. Em algumas cidades, esse retorno já aconteceu, enquanto em outras o debate continua. Apesar da expansão no número de imunizados, inclusive entre os jovens, a necessidade da manutenção dos hábitos adquiridos durante a pandemia, como uso de máscara, higiene e distanciamento social, serão ferramentas importantes na prevenção do novo coronavírus.

A retomada das aulas presenciais coincide com a chegada da Primavera, período conhecido pelo florescer das plantas e flores, mudanças do clima, polinização e tempo seco, todos fatores que impactam no aumento de doenças respiratórias. Rinite, asma e bronquite são algumas das infecções mais comuns nesta época do ano.

Um estudo realizado no Brasil demonstrou que o país se encontra no grupo com as maiores taxas mundiais de asma e rinite. Na Primavera, algumas alergias apresentam sintomas com mais frequência e um dos fatores é a polinização, processo característico da estação do ano em que as flores produzem o pólen, responsável pela produção da planta. Como o grão de pólen é pequeno e leve, ele também é carregado pelo vento para a fecundação aleatória e em contato com as mucosas desencadeia uma reação inflamatória. Espirros, coceira do nariz, olhos e garganta e congestão nasal são algumas dessas reações.

Bebês e crianças de até cinco anos podem apresentar mais de 11 episódios de gripes e resfriados por ano, praticamente um episódio por mês. A frequência dessas infecções respiratórias pode tornar a necessidade de limpeza do nariz e remoção da secreção ainda mais necessária no dia a dia delas. Porém, a pele dos bebês é mais delicada e sensível e a utilização de métodos alternativos ou inadequados, como lenço de papel, toalhas, fraldas, pode lesionar a pele e aumentar o risco de infecções secundárias.

Por isso, a higiene adequada da parte externa do nariz também é muito importante. Dados apontam que as crianças colocam o dedo no nariz pelo menos seis vezes por hora, esse atrito gerado pode causar irritações na pele e aumentar as chances de infecções por vírus e bactérias. “Bebês e crianças pequenas não sabem assoar o nariz direito, com isso o muco fica escorrendo, fazendo com que ele se irrite e limpe inadequadamente, colocando o dedo no nariz, isso pode causar irritações e infecções secundárias na pele como impetigo (infecção bacteriana contagiosa)”, explica Dra. Maura Neves, otorrinolaringologista e doutora em Ciências da Saúde pelo Departamento de Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

“É recomendado que a higiene externa do nariz seja feita com produtos que tenham ativos naturais, pois, além de remover as secreções, protegem, hidratam e cuidam da pele delicada de bebês e crianças”, complementa a especialista.

Presente em algumas listas de materiais escolares, os lenços descartáveis são importantes para higiene nasal dentro ou fora da instituição escolar, assim como lavar as mãos frequentemente com água e sabão, evitar tocar os olhos, o nariz e a boca com as mãos não lavadas, não compartilhar objetos de uso pessoal (talheres, pratos, copos ou garrafas) como forma de prevenção contra à covid-19.

“Não há fórmula mágica, nem processo milagroso. Há o cuidado e atenção no dia a dia. No momento em que vivemos, evitar colocar o dedo no nariz e cuidar da forma adequada da parte interna e externa do nariz são hábitos que devem ser mantidos”, pontua a médica.

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