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Vocês gostam de contar histórias para os seus filhos? Eu adoro, por isso, trouxe uma entrevistada especial hoje para o blog!

Clara é atriz e narradora profissional de histórias há 15 anos. Durante este período, já se apresentou em diversos países como Portugal, Espanha, França, Peru, México e outros.
Atualmente vive em Portugal, onde – entre outros trabalhos – fundou a primeira escola de capacitação e treinamento para narradores do País: a Escola de Narração Itinerante.

É, ainda, diretora e produtora do “UM PORTO DE CONTOS”- Encontro Internacional de Narração Oral, que teve a primeira edição em maio de 2011. Na literatura, Clara é autora do conto “A Montanha Encantada”, que faz parte da coletânea reunida no livro “Histórias de quem conta histórias”, publicado pela Ed. Cortêz. Livro escolhido para representar o Brasil na feira internacional do livro infantil em Bolonha-Itália em 2011, como um dos melhores lançamentos infanto – juvenis de 2010.

Conversei com a Clara sobre a importância de contar histórias, dicas de como escolher o melhor livro/conto para cada faixa etária.. Vamos lá!

– Como despertou o seu interesse por narração de histórias? E para qual idade é mais direcionado o seu trabalho?

Minha avó me contava histórias de todos os tipos e eu adorava ouvir. Com o tempo passei a adorar contar e também ler tudo o que caía em minhas mãos. O despertar por esse universo foi desde a infância. Profissionalmente trabalho já há 15 anos. Eu não defino idade porque acredito que as histórias são para todos! E eu amo contar para qualquer tipo de público: criança, jovem, adulto…

– As crianças precisam de algo que as entretenham para segurar a atenção (algo até mágico dependendo da idade, rs). Como fazer isto através da contação de histórias, vc tem alguma técnica?

Acredito que quando estamos presentes de coração ao contar a história fazemos essa tal mágica. A “técnica” é ser verdadeiro, colocar sentimento, intenção, emoção e amor naquilo que se propõe a fazer, independente se ser algo que realize profissionalmente ou em ambiente familiar. Tem um ditado africano que diz: “palavras que saem da boca chegam aos ouvidos, mas palavras que saem do coração chegam ao coração”- acredito que essa é a mágica!

– Com tantas apresentações realizadas em diversos países, vc já presenciou alguma cena emocionante entre as crianças durante uma apresentação?

Várias. É sempre tudo tão vivo e encantador. Já fui abraçada em plena narração , quando uma criança saiu do seu lugar para me agradecer pela história.Já vi pais, mães e filhos com lágrimas nos olhos abraçados desfrutando um momento familiar no meio de um espetáculo com várias pessoas à volta. São muitos anos por estas “andanças” e tudo fica marcado e gravado na memória e no coração.

– Já percebeu diferenças de interesses das crianças de acordo com o país ? quem é mais interessado por histórias?

Podem existir algumas, o que é engraçado , divertido e faz rir em um lugar pode não ter o mesmo efeito no outro. Depende muito da cultura, do país. Mas em geral a reação é bem semelhante em todos os lugares.

– Na parte literária, como vc vê o incentivo dos pais para os filhos? Qual a importancia disso?

Acho de extrema importância esse incentivo desde tenra idade.Um pai e uma mãe leitores são estímulos para que a criança também seja. Entretanto, não são só dos livros que surgem as histórias. As histórias de vida, a transmissão oral dos conhecimentos guardados na memória, podem criar um vínculo bastante intenso e afetuoso entre pais e filhos. Acredito que a oralidade na vida de uma pessoa é de extrema importância em todos os campos e aspectos da vida porque ajuda na comunicação das ideias com exatidão, com clareza….

– Quais dicas vc daria na escolha do livro/conto para o filho?

Mais do ver a lista dos mais vendidos, a linda ilustração… a preocupação deve ser a qualidade literária, o conteúdo. Sem dúvida, existem no mercado muitos livros que unem estes três itens com louvor. A dica seria buscar algo que vá de encontro com os interesses da criança e também apresentar outros temas de maneira leve e despretensiosa. Ler e também ouvir histórias faz com que a criança amplie a sua leitura do mundo.

– Existem algumas dicas na hora da narração para pais com os filhos?

Buscar o “lugar encantado” .Aquele espaço onde não haverá interrupções, um lugar onde não haja ruído, que não haja televisão de fundo. E importantíssimo: Que não seja um lugar de passagem de pessoas.

Se não estamos sós os segredos partilhados não serão secretos! Dê este tom de magia a suas conversas e ao momento de contar ou ler histórias para seu filho. Faça com que ele se sinta muito especial e também que este momento seja um momento especial.Esqueça as “secretas intenções” que todo o pai e todo educador inconscientemente busca cumprir. É certo que os contos ensinam, animam a ler e a ter prazer pela leitura, educam, estimulam a criatividade e a imaginação mas isso o conto faz por si só, não é necessário estar pensando nisto quando estamos com nosso filho.Não é preciso dar a moral da história, ela existe em si mesma!

O momento ideal é quando encontramos o desejo de falar sobre situações e histórias de nossa vida, ou tivermos a vontade de ler e compartilhar um conto e obviamente quando a criança tem vontade de ouvir uma história.

Devemos sempre lembrar que narração é intimidade, é sinceridade, é surpreender, observar, é falar e calar, é ser natural e, sobretudo, é uma atividade de partilha prazerosa para quem conta e para quem ouve.

– Para finalizar, quando fará uma apresentação no Brasil? Como as pessoas podem saber o seu cronograma?

Estou viajando por vários estados ministrando oficinas sobre a arte de contar histórias e fazendo apresentações. Para saber mais sobre minha agenda de atividades podem buscar na página do facebook da Escola de Narração Itinerante www.facebook.com/EscolaNarracao ou no site www.escolanarracao.com

Adorei esse bate-papo. E vocês?
*Bjins*

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