Combate ao Câncer Infantil: saiba como reconhecer os sinais da doença

A cada hora surge um novo caso de câncer no Brasil. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), esta é a enfermidade que mais mata crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no país. E um dado chama atenção: anualmente cerca de 30% das crianças e adolescentes podem estar morrendo sem diagnóstico e tratamento. Por isso, o dia 23 de novembro é marcado pelo Dia Nacional do Combate ao Câncer Infantojuvenil para conscientizar a população sobre a doença e a importância do diagnóstico precoce e tratamento adequado. 

Embora haja um aumento das chances de cura: na década de 80 girava em torno de 35% (Chatenoud et al) e hoje, segundo o INCA, pode chegar à média nacional de 64%, ainda há um longo caminho a percorrer. Nesse contexto, a missão do Instituto Ronald McDonald é promover a saúde e qualidade de vida de crianças e jovens com câncer. Ao longo desses 20 anos, cerca de 400 mil atendimentos foram realizados em programas e projetos parceiros do Instituto, com o objetivo de ampliar as chances de cura. 

“Em 2028, queremos que as chances de cura no Brasil cheguem a 85% em todos os estados do país, atingindo as estatísticas de países com um alto índice de desenvolvimento. Isso porque a desigualdade é real até mesmo nas chances de cura: o câncer não diferencia a criança que afetará, mas onde essa criança nasce e vive pode influenciar diretamente nas suas chances de sobrevivência”, explica Francisco Neves, Superintendente do Instituto Ronald McDonald. Conforme o levantamento feito pelo Inca, enquanto as chances médias de cura nas região Sul são 75% e Sudeste são 70%, nas Região Centro-Oeste, Nordeste e Norte elas são 65%, 60% e 50%, respectivamente. 

Desde sua fundação, em 8 de abril de 1999, o Instituto Ronald McDonald – vencedor do prêmio de Melhor ONG em saúde e classificado entre as 100 melhores ONGs do Brasil de acordo com o Instituto Doar e a Revista Época em 2017, 2018 e 2019 – age nas principais necessidades no antes, durante e após o tratamento, através do desenvolvimento e da coordenação de programas como Diagnóstico Precoce, Atenção Integral, Espaço da Família Ronald McDonald e Casa Ronald McDonald. 

Impactando vidas ao redor do Brasil 

A pequena Melissa Mendes, ou Mel – como é conhecida, foi diagnosticada com Leucemia quando tinha apenas quatro anos, mas na época não fazia ideia de que sua história inspiraria um livro para ajudar outras meninas que enfrentam o câncer. A menina recebeu o tratamento da doença ao lado de familiares e amigos no Hospital da Criança de Brasília, e também o apoio da ABRACE, instituição que oferece subsídios necessários para crianças em tratamento. A instituição é uma das apoiadas pelo Instituto Ronald McDonald, recebendo recursos através da campanha anual McDia Feliz. 

Uma amiga da família Mendes, quando soube da notícia, se sensibilizou com a pequena e fez a sua parte para que ela se sentisse melhor com o tratamento. Por isso, Nalu Nayara raspou os cabelos antes mesmo que os fios de Mel começassem a cair, inspirando também a mãe, Viviane Mendes, e a avó de Melissa a fazerem o mesmo. “Quando os fios da Mel começaram a cair, ela se sentia muito envergonhada e não queria sair de casa sem touca. Por isso, nós raspamos o cabelo para mostrar para ela que os fios não definiam nossa beleza e que ela podia se sentir bem daquele jeito. Um tempo depois ela começou a aceitar a falta de cabelos e a sair na rua sem se preocupar com os olhares dos outros”, conta Viviane Mendes, a mãe da Melissa. 

A história de Mel também inspirou a amiga Nalu a escrever um livro, chamado “O Reino Encantado das Princesas Carecas”. A história, voltada para crianças, fala sobre a beleza que vem do coração e que é muito mais importante que a aparência exterior. No livro, uma princesa careca se sente triste por não ter cabelos, mas outra princesa mostra outros detalhes que a tornam única. As cópias do livro foram distribuídas gratuitamente para outras meninas em tratamento do câncer que estavam vivenciando a experiência de perder os cabelos. 

“Foram cerca de mil livros distribuídos para crianças em tratamento”, explicou Viviane. Hoje, Melissa tem nove anos e está curada. 

Principais sintomas 

De acordo com a Dra. Carmem Fiori, especialista em Oncologia Pediátrica, os sintomas do câncer infantil e juvenil podem se confundir com doenças comuns da infância. Por isso, os médicos precisam estar capacitados e atentos para suspeitar e realizar o encaminhamento adequado. 

“É preciso reconhecer os principais sinais e sintomas para ampliar as chances de cura das crianças e adolescentes e diminuir também o sofrimento e as sequelas do tratamento. Em crianças, os tipos de câncer mais frequentes são as leucemias. Cerca de 30% das crianças com câncer possuem algum tipo de leucemia, que tem como principais sinais e sintomas: a anemia, palidez de pele e mucosas, que pode vir ou não associada a febre”, explica a especialista. 

Ela ainda destaca que todos devem se alertar para esses sintomas e, por isso, é muito importante falar mais sobre a doença. “Dores de cabeça muito fortes, por exemplo, podem indicar tumores no sistema nervoso central. Muitas vezes essas dores aparecem intensas e durante a noite, chegando até a acordar a criança. Podem vir acompanhada de náuseas ou vômitos. Algumas vezes a criança acorda, vomita e volta a dormir. Isso não é normal, e deve acender o alerta de que pode ser uma doença mais grave”, orienta a médica. 

A especialista também ressalta os principais desafios para ampliar as chances de cura no Brasil. “A suspeita diagnóstica ainda está aquém do ideal. As vezes a dificuldade no diagnóstico acontece por ser uma doença rara, em que os sintomas se confundem com outras doenças e os próprios médicos não estão capacitados para o diagnóstico precoce do câncer. O que fazemos através do Instituto Ronald McDonald, capacitando profissionais para que eles suspeitem e encaminhem mais rapidamente as crianças com suspeita de câncer, é uma das principais ações que garantem maiores chances de cura e menores sequelas do tratamento”, finaliza. 

Conheça os principais sintomas do câncer infantil e juvenil: 

· Febre; 

· Vômito; 

· Constipação; 

· Aumento do volume na barriga; 

· Tosse; 

· Dor de cabeça; 

· Crescimento dos gânglios linfáticos (especialmente pescoço, axila e virilha); 

· Sangue na urina; 

· Palidez da pele e mucosas; 

· Roxos na pele sem que haja atrito ou queda; 

· Dor óssea/muscular 

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