Como a educação com afeto pode fortalecer o socioemocional dos alunos após esse período de pandemia

Vimos recentemente que o Príncipe Harry e a duquesa Meghan Markle matricularam o pequeno Archie em um berçário que ensina alfabetização emocional e gentileza, na Califórnia (EUA). O estabelecimento tem um imenso jardim habitado por diferentes espécies de pássaros e borboletas, várias árvores e plantas e um espaço para plantio e cultivo administrado por seus alunos.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, os adultos que recebem afeto na infância têm mais estabilidade emocional. Seja nas relações estabelecidas na hora do recreio, na sala de aula, logo na entrada com aquele “bom dia”, na visita à secretaria ou à biblioteca, ou seja, toda a equipe escolar, não apenas os professores, devem participar ativamente do desenvolvimento dos alunos e fortalecer o seu pilar socioemocional.

Além disso, depois de um longo período de pandemia e de ensino à distância, neste ano teremos um ano letivo de reencontros, reconexões e mudanças. A escola não é mais a mesma, nem os alunos e nem os professores. Todos passaram por adaptações, medos, ansiedades, perdas, entre outros desafios e sentimentos. Com toda essa “nova bagagem”, o que podemos esperar da escola para os próximos anos?

Márcia Frederico, consultora pedagógica do LIV, programa socioemocional, explica. “É importante que os profissionais que trabalham na escola tenham consciência e responsabilidade do quanto estão ali trazendo referências e um modelo de interação para essas crianças e adolescentes. Além disso, sabemos que tudo que é falado em sala de aula, repercute em casa com as famílias. Por isso, os professores precisam ter essa dimensão e conhecer a extensão dos seus atos, que os seus “ensinamentos” podem interferir nas relações familiares também. Quando um aluno chega em casa e sabe fazer um pedido claro, contar como a família poderia se comunicar de uma forma melhor, isso é engrandecedor demais”, conta.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, os adultos que recebem afeto na infância têm mais estabilidade emocional. Permitir que as crianças se desenvolvam em meio a um ambiente acolhedor e amoroso, então, pode ser um dos caminhos para incentivar a estabilidade emocional na vida adulta, tornando as pessoas capazes de lidar melhor com o estresse e a ansiedade.

Para ajudar e inspirar os educadores e toda a comunidade escolar que se relaciona diariamente com os alunos a cuidar da saúde mental e do socioemocional, o LIV oferece o Percurso Pedagógico, um programa de educação continuada exclusivo para professores e profissionais de escola com diversos conteúdos, formatos e orientações pedagógicas criados para aprofundar o olhar e trocar experiências. É o LIV cuidando e acolhendo a Escola para que a Escola cuide e acolha os alunos.

E com a pandemia os desafios mudaram e aumentaram. Em uma palestra virtual para os educadores do LIV, o psicólogo, educador e autor do best-seller “Cartas de um terapeuta para seus momentos de crise”, Alexandre Coimbra Amaral comenta que os professores – e também os alunos – precisaram reaprender muitas coisas neste período. “Depois da pandemia, nós não somos mais os mesmos, a cidade não é a mesma, os alunos não são mais os mesmos, a escola não é mais a mesma. Agora há um protocolo rígido entre as relações, entre as nossas saudades, entre os nossos afetos, há um momento de estranheza após todo esse tempo de distanciamento social e ensino online”, conta.

Mas, como os professores podem fazer para seguir esses protocolos na volta presencial? Como ajudar as crianças a entenderem esse novo processo para se relacionarem com os outros?

Coimbra acredita que “Provavelmente os alunos já entenderam o que aconteceu, já usam bem a máscara, já passam álcool em gel nas mãozinhas, mas eles ainda estão com muitas perguntas dentro deles. E quando essas crianças reencontrarem o professor, elas reencontrarão aquela pessoa que já era sentido de segurança emocional para elas”.

E completa: “é importante que os professores não sejam apenas transmissores de conhecimento, mas sim figuras de referência. É preciso estar disponível, escutar, acolher e se doar para os alunos. Nós, professores, educamos transmitindo esperança. Nós sabemos a importância que um grande professor tem na vida de um aluno. Não foi a transmissão de conhecimento que foi a coisa mais importante que ele te ensinou. Esse grande mestre teve uma participação na arte de viver. Os alunos aprendem como se vive também com seus professores. Por isso, nós, professores e alunos, precisamos de gente para escutar as nossas histórias”.

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