Como lidar com a constante busca por aceitação na adolescência

Pesquisa divulgada no último mês pelo Getty Images aponta que 42% dos internautas se sentem insatisfeitos com a própria vida por conta das redes sociais. Entre os entrevistados, 65% dos que pertencem à geração Z, 55% dos millennials, 37% da geração X e 20% dos chamados “baby boomers” (nascidos entre 1946 e 1964) dizem que passar o tempo em sites de mídia social, muitas vezes, os faz sentir que suas vidas não são tão boas quanto as dos outros. 

Para a psicóloga Adriana Cabana, do grupo Prontobaby, as redes sociais estão fazendo com que jovens desenvolvam problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, pois é nelas que criam a fantasia de que somente o belo é valoroso. 

“Os defeitos, as frustrações e os erros de planejamento fazem parte do ciclo de vida de cada um, e entender que nem sempre vivemos em um conto de fadas pode ser uma saída. O jovem precisa exercitar a frustração das etapas da vida, isso traz amadurecimento”, diz. 

Na novela “A Força do Querer”, reprisada no horário das 21h pela Rede Globo, a personagem Ivana, interpretada pela atriz Carol Duarte, passa constantemente pelo julgamento da mãe que quer a todo custo que a filha seja feminina. Adriana Cabana destaca que a adolescência é um período de muitas mudanças corporais, hormonais e também psíquicas. Algumas vezes, tais mudanças são vistas e sentidas com angústia e sofrimento. 

“Essas alterações fazem os jovens sentirem necessidade de serem incluídos a seus grupos sociais e, assim, tudo o que é diferente ou “estranho” pode ser entendido como não corresponder à expectativa do grupo ao qual querem se inserir”, pontua. 

Mas, como a família pode ser um ponto importante na construção da autoestima do jovem, respeitando sua individualidade? 

Essa e outras questões, Adriana responde a seguir. Confira: 

Por que os adolescentes são tão instáveis e precisam se autoafirmar? 

A adolescência é um período de muitas mudanças corporais, hormonais e psíquicas. Algumas vezes, tais mudanças são vistas e sentidas com angústia e sofrimento. Os corpos são “desengonçados”, meninos têm voz instável, os hormônios femininos trazem algumas mudanças de humor. Estas alterações fazem os jovens sentirem necessidade de serem incluídos, pertencidos a seus grupos sociais e, assim, tudo o que é diferente ou “estranho” pode ser entendido como não corresponder a expectativa do grupo ao qual querem se inserir . 

Essa busca por aceitação a todo custo, que começa na adolescência, pode levar jovens a criarem vícios em bebidas alcoólicas, substâncias ilícitas e problemas relacionados a transtornos de imagens? 

Sim, a busca pela aceitação pode fazer com que o jovem só se sinta pertencido se fizer parte de grupos com comportamentos desviantes, como se somente estes grupos pudessem lhe aceitar como é. Entretanto, esta escolha pode estar relacionada à baixa autoestima, e é preciso que os pais estejam atentos a como está sendo a transição da infância para a adolescência. 

Como identificar que o jovem está nessa situação? Quais os sinais? 

A mudança de comportamento é o primeiro indicativo de que algo não vai bem. Escolhas errantes, principalmente as que colocam a integridade física e psíquica do jovem em risco, são sinais de atenção para os pais. 

Quando procurar ajuda? 

No momento em que não conseguir manter o controle da situação sozinho, bem como se houver um desgaste na relação com os filhos. Desistir dos jovens nunca é a solução. Buscar ajuda profissional, sim. 

A família é um ponto importante na construção da autoestima desse jovem? Como a família pode ajudar sem parecer que está se intrometendo? 

O diálogo é sempre a melhor solução, assim como o entendimento de que a adolescência é um período de difícil adaptação social, física e psíquica. É preciso também exercitar a empatia, lembrar que os pais também foram adolescentes um dia. 

Em tempos de rede social, cultura da magreza e modismo de dieta, muitas pessoas ficam mais vulneráveis a desenvolver problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade. Como as redes sociais, cada vez mais presentes na vida dos jovens, estão influenciando na concepção de beleza e na construção desses indivíduos? 

Criando uma fantasia de que somente o belo é o valoroso. Os defeitos, as frustrações, os erros de planejamento fazem parte do ciclo de vida de cada um, e entender que nem sempre vivemos em um conto de fadas pode ser uma saída. O jovem precisa exercitar a frustração das etapas da vida, isso traz amadurecimento. 

Você acredita que essa febre de filtros para selfies nas redes sociais está influenciando a maneira que esses jovens se enxergam e trazendo problemas de autoaceitação? 

Se essa prática está associada a mascarar defeitos em busca de uma aceitação social, podemos estar diante de um problema de autoestima e aceitação. É preciso encarar esses instrumentos como lúdicos, não como regras.

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