Criança que coopera em casa se desenvolve emocionalmente

Contribuir nas tarefas de casa auxilia no desenvolvimento emocional da criança favorecendo a autonomia e a independência.A boa noticia é que algumas tarefas que inicialmente podem parecer simples, vão refletir de forma positiva na vida adulta.

Aqui em casa o Pedrinho já tem tarefas diárias como arrumar a cama , guardar seus brinquedos, tirar o lixo do banheiro, retirar seu prato da mesa após a refeição, etc.

Repare que a criança pequena tem vontade e prazer em contribuir. E muitas vezes isso é retirado dela, seja porque não tem a destreza necessária ao realizar a tarefa, ou porque não fica bem feito como a de um adulto ficaria. É preciso incentivar, supervisionar, elogiar e ensinar de forma lúdica, sem exigir perfeição.

Mostre que as tarefas da casa fazem parte do dia a dia da família. A casa é de todos. Cooperar como colocar a roupa suja no cesto, arrumar a cama, jogar o lixo fora e compartilhar no coletivo, favorece a interação social, o sentimento de pertencimento no lar e a autoestima. E, além disso, instala a rotina que é tão importante para as crianças porque dá segurança.
Mas vá sem pressa, comece devagar. À medida em que a criança for assimilando e incorporando a atividade na rotina, amplia-se mais um pouco.

Então mãos a obra: crianças pequenas, tarefas pequenas. E por aí vai…
Lembre-se que casa com criança tem um certo movimento, não queira coisas estáticas, tudo tem seu tempo. Mas o quanto antes iniciar o processo melhor será para o desenvolvimento da criança.

2 anos – Nessa idade a criança já deve ter bom controle da marcha e a linguagem também está bem ampliada. Ela já pode por exemplo, no seu quarto, separar os brinquedos por categorias em caixas organizadoras (carrinhos, bonequinhos, bonecas, roupinhas das bonecas, etc). Sente ao lado da criança e comece a separar com ela os brinquedos. Através da brincadeira vai separando por cor, tamanho e tipo. Aos poucos ela irá entender junto com você o conceito de separar por categoria.

3 a 4 anos – Nessa idade já pode incentivar a arrumar a mochila da escola. E levar a mochila para guardar no lugar determinado. Colocar roupa suja no cesto, guardar o sapato. Tente deixar uma parte do quarto ao alcance dos pequenos, como por exemplo, caixas organizadoras pequenas que eles possam pegar e colocar em prateleiras baixas. Precisa ter alguma paciência e entrar no mundo lúdico. Com pressa, fica mais difícil.

5 anos – A criança pode regar as plantas, e isso é muito divertido. Pode arrumar a cama, ajudar a por a mesa, colocar papel higiênico no banheiro. Lembrando sempre que a criança está aprendendo, não é tarefa dela e sim do adulto, e, portanto, precisa de supervisão. É preciso estar atento aos utensílios cortantes da cozinha, material de limpeza. Artigos e utensílios que devem ser mantidos longe do alcance das crianças e isso deve ser dito a ela.

6 a 7 anos – a noção de responsabilidade se amplia mais um pouco. Já pode guardar compras no armário, ler rótulos para verificar a validade do produto, passar o aspirador. Trocar o lixo do banheiro. Por exemplo, arrumar o armário do banheiro separando por categoria, como era anteriormente com os brinquedos, agora irá separar o sabonete, a pasta de dente, o shampoo. Arrumar a gaveta do banheiro.

8 a 9 anos – A criança já está mais desenvolta e é capaz de exercer melhor certas atividades. Ajudar no preparo das refeições. Tirar e colocar a mesa, lavar frutas e colocar na geladeira, carregar as sacolas do mercado, varrer o quarto. Lavar a louça do café da manhã.

10 a 11 anos- Ter um bloco de anotação na cozinha para as listas do supermercado e permitir que a criança faça a lista em conjunto, que verifique o que falta na dispensa. Trocar a roupa de banho e de cama. Separar as roupas para colocar na máquina de lavar.

A partir dos 12 anos- a criança já tem mais autonomia e pode limpar o banheiro, lavar louças, secar e guardar, separar contas a pagar que chegam do correio e colocar em lugar determinado.

Por fim, se a família lida bem com a organização da casa sem que isso seja um fardo, é possível que a criança cresça nessa atmosfera compreendendo que colaborar nos afazeres domésticos faz parte da vida.

RENATA BENTO – Psicóloga, especialista em criança, adulto, adolescente e família. Psicanalista, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro. Perita em Vara de Família e assistente técnica em processos judiciais. Filiada a IPA – Internacional Psychoanalytical Association, a FEPAL – Federación Psicoanalítica de América Latina e a FEBRAPSI – Federação Brasileira de Psicanálise.

Deixe uma resposta