Cyberbullying: psicóloga ensina como proteger as crianças e adolescentes de ataques nas redes sociais

A morte do adolescente Lucas Santos, de 16 anos, que cometeu suicídio após ter sido atacado nas redes sociais por conta de um vídeo que havia postado no TikToK, causou dor, comoção e serviu também de alerta. A mãe do menino, Walkyria Santos, ex-vocalista da banda Magníficos, foi uma das primeiras a se manifestar: “Vigiem. A Internet está doente”, lamentou. O episódio trágico levou muitos pais a se perguntar como lidar com o ódio nas redes, que tem aumentado e atingido cada vez mais crianças a adolescentes. Para a psicóloga Monique Rodrigues, do Grupo Prontobaby, o cyberbullying é um fator de risco para a saúde mental de qualquer indivíduo que navega nas internet, mas um risco ainda maior para aqueles que ainda estão em formação. Por isso, diz ela, é importante, sim, ter critérios de controle.

– A única forma de garantir que crianças e adolescentes não sejam expostos a discursos de ódio seria impedi-los de navegar nas mídias sociais. Entretanto, proibir o uso não educa. O importante é permitir o acesso com regras e limites negociados – defende a especialista.

Uma das estratégias, diz Monique, é manter as crianças informadas. Elas precisam aprender a identificar os comportamentos de cyberbullying e estarem cientes dos riscos que podem enfrentar no ambiente virtual

– Crianças e adolescentes precisam ser orientados sobre quando a “brincadeira” deixa de ser “brincadeira’, ou seja, quando ela magoa, entristece, ofende… é sinal que ela já foi longe demais.

Outro ponto importante é orientá-los sobre amizades com estranhos, exposição de dados pessoais, como endereço, número do celular, compartilhamento de senhas – diz ela, lembrando ainda que muitos aplicativos possuem a delimitação do conteúdo por faixa etária, e que serviços tecnológicos que monitoram e impedem comentários inapropriados são recursos que podem ser utilizados pelos pais.

Além disso, a psicóloga orienta também que se mantenha sempre o diálogo aberto com os filhos. Segundo ela, é necessário estabelecer uma relação de confiança para que a criança e o adolescente possam recorrer ao adulto caso necessário.

– O diálogo é sempre o melhor aliado das relações, isso não poderia ser diferente na relação entre pais e filhos. Por isso use e abuse desse recurso – diz.

Monique lembra ainda que a infância e a adolescência são fases de desenvolvimento. Isso significa que as crianças e jovens não possuem ainda capacidade emocional e arcabouço psíquico para lidar com conteúdos inapropriados e violentos.

-Durante a adolescência ocorrem mudanças de ordem emocional que são de extrema importância, é uma fase sensível onde ocorrem alterações físicas, comportamentais, relacionais, por isso podemos dizer que eles são mais vulneráveis, pois ainda estão constituindo um lugar social. Nesse sentido, são mais suscetíveis ao cyberbullying porque geralmente nesses ataques suas características como raça, religião, peso, orientação sexual são usadas como um fator negativo. Como nessa fase do desenvolvimento eles ainda são inseguros com sua autoimagem, acabam por “acreditar” nessas agressões, o que pode desencadear um comportamento de risco – alerta a psicóloga do Grupo Prontobaby.

No caso de ocorrerem ataques na internet, diz Monique, é fundamental que a vítima seja ouvida e lembrada que não é culpada. É essencial também que ela saiba que pode receber todo o apoio da família.

– É necessário bloquear o agressor e denunciar o comportamento na plataforma que esteja ocorrendo. Lembrando que devemos zelar pela integridade da criança e do adolescente, uma vez que as consequências do cyberbullying podem ser uma ameaça à vida. Também é fundamental que haja a coleta das evidências a fim que o agressor possa ser identificado e os órgãos competentes, acionados.

Os pais devem ficar ainda atentos a mudanças. Geralmente, vítimas de violência modificam seu comportamento, ficam mais isoladas, interagem menos com amigos e familiares, começam a ter um baixo rendimento escolar, apresentam oscilação de humor, ansiedade, depressão, pensamentos suicidas, diz, Monique, ressaltando que, infelizmente, nem sempre é possível identificar esse comportamento antes de um suicídio.

Deixe uma resposta