Dia do amigo e a Pandemia: como encontrar o caminho para algo que esteve temporariamente ausente?

O Dia do Amigo é celebrado em 20 de julho. A data foi criada em Buenos Aires, na Argentina, pelo professor, músico e filósofo Enrique Ernesto Febbraro. A inspiração foi a chegada do homem à lua em 20 de julho de 1969. Febbraro, ao sugerir a celebração, defendeu que a conquista de chegar à lua também deveria ser considerada uma oportunidade de se fazer amigos em outas partes do planeta. Assim, em 1970, o Dia do Amigo foi comemorado pela primeira vez no mundo.

Mas desde março do ano passado, muita coisa mudou, principalmente os encontros presenciais com amigos, seja nas escolas ou nos parques, que foram substituídos pelas vivências virtuais, o que foi sentido como negativo por várias pessoas, pois a falta do contato com os amigos próximos ocasionou falta de felicidade, aconchego, segurança e tranquilidade.

Antes as crianças podiam dar as mãos aos seus amigos, partilhar cobertores nas festas do pijama e reunir-se em torno de bolos de aniversário para ajudar a apagar as velas. Mas agora não.

Muitas das coisas no nosso mundo atingido pela pandemia são agora bastante diferentes. Mas talvez a mudança mais marcante seja a forma como as crianças interagem umas com as outras. Aprender a socializar numa era de distanciamento social pode ser mais difícil de processar do que qualquer matéria dada nas aulas virtuais, e especialistas como Tracy Gleason, professora de psicologia no Wellesley College, acreditam que, se as amizades das crianças forem alteradas, isso pode ter um efeito sobre elas agora e no futuro.

O Pedrinho sentiu isso de perto ao retornar às aulas presenciais da Escola de forma hibrida; após ficar tanto tempo falando apenas virtualmente com os amigos, ao chegar na escola de máscara e com várias restrições, travou! Não conseguiu interagir como antes e ficou muito triste com isso. Eu tenho ajudado ele nisso, juntamente com a escola. Já alguns amigos dele, nem quiseram retornar á escola. Na sala dele com crianças na idade entre 10 e 11 anos, tem sido assim. Agora imagine na adolescência?

As amizades, sobretudo nestas circunstâncias, podem ter efeitos adversos. Um estudo feito com adolescentes ma~ecanadianos durante os estágios iniciais da pandemia descobriu que o tempo que passam virtualmente ligados aos amigos estava relacionado com níveis mais baixos de solidão – mas a taxas mais elevadas de depressão.

A psicóloga e professora do curso de psicologia da Faculdade Pitágoras, Elaine Franciny Jardim, afirma que manter contato com os amigos, mesmo que de forma virtual, se faz ainda mais necessário. “O distanciamento tem adoecido muitas pessoas. E os amigos proporcionam uma rede de suporte muito benéfica para a saúde mental compartilhando experiências, emoções e sentimentos. É um fator de proteção e troca de afetos”, explica a docente.

“Os amigos tornam a vida melhor. Somos seres sociais e manter amigos ao nosso redor é reconhecido dentro da psicologia e da literatura científica como uma das principais fontes de felicidade e bem-estar”, diz a professora.

A profissional da saúde alerta que também é preciso tomar cuidado para que a amizade não se torne uma relação tóxica. “Quando confundimos amizade com dependência emocional, ela se torna tóxica na nossa vida. Para amizades saudáveis é necessário a busca de laços mais profundos e duradouros. Para saber se estamos sendo tóxicos ou em uma relação de amizade tóxica é preciso ficar atento. Amizades que causam estresse, tristeza e ansiedade são tóxicas. Pessoas que drenam a nossa força vital e fazem com que duvidemos do nosso próprio jeito de ser são pessoas que carregam dependência emocional”, conclui Elaine.

A psicóloga Hannah Schacter diz que o apoio dos pais fornece um estímulo crítico. (No referido estudo com adolescentes canadianos, mais tempo de interação com a família estava relacionado com menos casos de depressão.)

“Os pais não podem intervir e assumir o lugar de um amigo”, diz  Catherine Bagwell, professora de psicologia na Universidade Emory. Mas os pais podem encorajar os filhos a falarem sobre o que sentem sobre as suas amizades – ou sua ausência. “Dê-lhes uma oportunidade para falarem sobre isso. Pergunte se estão a lidar com desafios. Pergunte se houve algo que os apanhou de surpresa”, diz Catherine.

Estas conversas podem permitir aos pais saber se deviam fazer algo mais proativo, como inscrever os filhos em atividades online ou atividades socialmente distantes, ou convidar os vizinhos para um convívio ao ar livre.

Tracy diz que os pais podem vir a desempenhar um papel nesta transição de regresso à amizade física, intervindo para garantir que as crianças conseguem encontrar o caminho para algo que esteve temporariamente ausente. “Essas aptidões acabarão por surgir, mesmo que tenhamos perdido algum terreno.”

Espero que em breve nossas crianças possam interagir livremente e contentes!

Fontes: nationalgeographic.com e https://www.faculdadepitagoras.com.br 

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