Filha de gastadora, gastadorazinha é? Mas será?

A melhor educação financeira que a sua filha ou filho pode ter é o seu exemplo

Eu tinha tudo para ser uma grande endividada. O melhor conselho financeiro que minha mãe conseguiu me dar foi “se você não tiver dívidas, você não vai ter nada na vida”. É um péssimo conselho, principalmente para uma adolescente como eu que estava começando no primeiro emprego.

A Dona Conceição sempre foi uma intensa trabalhadora, mesmo assim devia para várias lojas do bairro, para o banco (vários bancos) e até para a minha escola de inglês. Foi uma experiência traumática para mim, às vezes eu tinha vergonha de ir na venda ou para a escola.

Poderia ser um caso isolado, mas segundo pesquisa da CNC, 70% das famílias brasileiras estão endividadas.

Apesar do péssimo conselho, minha relação com o dinheiro é totalmente diferente. Enquanto eu avalio juros, guardo parte do meu dinheiro e busco só entrar em dívidas planejadas, minha mãe, ainda hoje, reclama que o “banco malvado” fica com quase toda a aposentadoria. Quando minha filha Sofia nasceu, eu decidi ser o bom exemplo financeiro que eu não tive.

Logo no nascimento, a Sofia ganhou muitos presentes, entre eles, um “cheque” presente dos padrinhos. Achei incrível! Era a oportunidade de criar a primeira conta dela e guardar o dinheirinho para o futuro. Fui até um banco tradicional e saí de lá frustrada. Era tudo tão complexo e burocrático que acabei deixando para depois, e adivinha? Eu gastei o dinheiro da Sofia.

Meu objetivo de ser um bom exemplo começou mal. 

A virada

Eu quero que a Sofia no futuro esteja mais preparada para os desafios e tenha uma vida próspera. Então, já que não encontrei o que eu precisava no banco, decidi criar algo para pais e mães, como eu: assim nasceu a Pulpa, um aplicativo para você guardar dinheiro para futuro da criança que você ama, de forma segura e colaborativa. Para começar, tornei possível uma conta para a criança de uma forma simples! Direto no app. Lá você abre um Plano de Previdência Privada para guardar dinheiro para o seu filho para quando ele completar 18 anos. É um Fundo que rende e o certificado fica no nome da criança. Exatamente do jeito que eu queria para a Sofia. Eu sabia que só ter a conta não era o suficiente, como eu disse, eu sou de uma família de gastadores. Eu precisava que o cheque-presente do padrinho chegasse até a conta da Sofia.

Hoje e cada vez mais, temos muitos adultos dando presentes para cada criança. Segundo estudo etário do IBGE, em 1980 éramos um país jovem, atualmente somos um país adulto e até 2050 seremos um país de idosos. O que isso significa para os nossos filhos? Antes uma tia dava (pequenos) presentes para 8 sobrinhos. Agora, uma única criança ganha o presente das tias, do padrinho, dos avós, dos pais…

Estamos criando uma geração de consumistas, que compram absolutamente tudo, não usam quase nada, e endividados.

Faça esta auto-análise, pense no quarto do seu filho:

  • Quantos brinquedos tem lá?
  • Quantos brinquedos ele efetivamente brinca?
  • Seu filho dá valor para cada brinquedo que tem? Ou não liga quando algum some ou quebra?
  • Quantas pessoas dão presentes para ele todos os anos?

Quando essa ficha cai, a gente se assusta. 

A minha proposta é justamente reverter esse comportamento consumista para criar uma nova geração de poupadores. O “cheque-presente” do padrinho pode ir direto para a conta da Sofia, sem passar pela minha mão, para no futuro pagar uma faculdade, viagem de intercâmbio, carro ou qualquer sonho do futuro. O app que criamos é colaborativo, ou seja, além dos pais, os amigos e familiares também podem dar “o futuro de presente”. E dessa forma, ensinamos, pelo exemplo, a poupar, no lugar de ensinar a gastar.

Educação financeira

Um dia desses, eu estava com a Sofia numa feira comendo pastel perto de casa e quando fui pagar, o pasteleiro brincou com ela perguntando se ela tinha dinheiro para pagar. Ela respondeu: tenho dinheiro na pulpa, só que não posso gastar agora porque é para o futuro. Tenho que dizer que me senti uma mãe orgulhosa e senti que estou no caminho certo.

E para minha surpresa, a minha mãe – avó da Sofia, parou de dar brinquedos pra ela e passou a colocar o dinheiro dos presentes no app também.

Lógico que ter uma conta e poupar para o futuro não é toda educação financeira que uma criança precisa para desenvolver bons hábitos financeiros. Afinal, nem só de dinheiro vive a educação financeira. No fundo é sobre comportamento, mais do que sobre matemática!

Mesmo assim, apenas comece de alguma forma o quanto antes. Não fique parado.

Confira 5 dicas práticas para ensinar seus filhos:

5 dicas para ensinar educação financeira para crianças

  1. Fale sobre dinheiro! Essa é a primeira dica porque falar sobre dinheiro no Brasil é um tabu. Ouvimos dizer que “dinheiro é sujo” ou que a criança é muita nova para aprender sobre dinheiro. A verdade é que ninguém joga uma pessoa, adulto ou criança, numa piscina funda sem saber nadar. E por isso, valorizamos tanto aulas de natação, para que nossos filhos saibam sobreviver em situação de apuros.
    Já sobre dinheiro, achamos que tudo bem deixar nossos filhos se afogarem nas dívidas por falta de orientação financeira. Mais cedo ou mais tarde, seus filhos vão precisar lidar com dinheiro. Todos nós precisamos. Quanto mais cedo você começar a falar sobre o assunto, mais repertório ele terá para lidar com os seus próprios desafios.  

     
  2. Ensine seu filho ou filha a VALORIZAR os brinquedos. Limite a quantidade de brinquedos que ele tem, quando ganhar um novo, ele precisa, por exemplo, colocar outro para doação. Se riscar a boneca, peça para ajudar a limpar. Se quebrar, deixe sem. Façam juntos alguns brinquedos de papel ou materiais reciclados. Dê o mesmo valor dos produzidos à mão daqueles brinquedos comprados em loja.

     
  1. Ele não precisa de presentes com tanta frequência. Ensine seu filho a ESPERAR.
    Evite presente fora de época. Combine datas futuras, como aniversário e natal, para comprar um brinquedo novo. Crianças que sabem esperar, serão adultos com autocontrole.

     
  2. Mostre o valor do POUPAR. Dê um cofrinho ou até abra uma conta poupança para que ele aprenda a juntar dinheiro para comprar coisas que tem desejo no futuro próximo.

     
  3. Deixe ele assumir responsabilidades, como arrumar a própria cama/quarto ou ajudar com as tarefas da casa. Dê oportunidade para a criança lidar e ser responsável com dinheiro por meio da mesada educativa. Assumir responsabilidade significa que às vezes a criança vai ficar frustrada com as decisões que tomou, e também que você, pai ou mãe, vai precisar fazer sanções.

Independentemente de como foi a educação financeira que seus pais puderam te dar, tenha a certeza que você pode ser o exemplo positivo que seus pequenos precisam.

Por Erica Fran

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