Gerenciamento da raiva: Dicas práticas podem ajudar a desenvolver maturidade emocional nas crianças

Você sente que as emoções do seu filho ficam fora de controle? Se sente irritado ou paralisado quando seu filho está com raiva? Diz ao seu filho para “se acalmar”, mas ele piora? Fica irritado e depois perde a calma e se sente culpado por não ter se controlado? 

Se você respondeu sim para qualquer uma das questões acima, precisa entender que criar uma criança emocionalmente inteligente é uma jornada e não um destino. A regulação emocional prediz o sucesso na vida e existem muitas maneiras de acelerar o progresso do seu filho, ensinando-o a como controlar suas emoções em um momento de frustração ou estresse. 

As frustrações não devem ser eliminadas, pois as crianças precisam experimentar algumas decepções e desconfortos a fim de criar resiliência e autoconfiança. Crianças cujos pais as negligenciam ou mimam não estão bem preparadas para a independência. Uma das coisas mais úteis a se fazer por uma criança, em um momento de raiva, é apoia-la na exploração de diferentes estratégias de calma que resultará na regulação emocional. 

Uma criança com menos de quatro anos, por exemplo, pode ter até nove acessos de raiva por semana, com episódios de choro, chutes, socos, empurrões que duram de 5 a 10 minutos. Devido ao sistema nervoso, córtex pré-frontal, imaturo e ainda em construção, faz sentido que muitas vezes faltem habilidades que as ajudem a controlar com sucesso suas emoções e sentimentos quando experimentam frustrações, estresse e emoções muito intensas. 

Além de paciência e compreensão, as crianças precisam de bons conselhos e estratégias preventivas. 

Algumas dicas práticas podem auxiliar o desenvolvimento da maturidade emocional e promover felicidade e bem-estar para as crianças. Quando seu filho começar com manha ou ataques de fúria, tente fazê-lo prestar atenção na respiração. A respiração é a primeira que muda quando muda a emoção, por isso, a respiração diafragmática, puxando o ar em quatro tempos e soltando em seis, bem devagar, com cinco repetições já ajuda a apaziguar. 

 Procure focar em uma tarefa cognitiva específica, isso ajuda a desativar o cérebro reptiliano, e ativar o pré-frontal. Montar um quebra-cabeça, um brinquedo, jogar memória, contar de traz para frente. 

 Envolva a criança com um cobertor fofinho, traz sensação de acolhimento. 

 Brinque ou acaricie um animal de estimação com ele. 

 Escreva uma carta para alguém com quem você gostaria de compartilhar seus sentimentos ou sobre um tópico ou situação desafiadora. 

 Respire óleo essencial de menta para acalmar ou laranja doce para tristeza. Os óleos essenciais funcionam muito bem para isso. O centro olfativo do cérebro se sobrepõe a áreas que controlam as emoções, então o cheiro tem um grande impacto em nossas emoções. 

 Conte seus batimentos cardíacos, 

 Desenhe ou pinte a aparência de seus sentimentos. 

 Aperte algo que não quebre, como slimes, massinhas, bolas. Por meio da compressão. As articulações enviam ao cérebro estímulos sensoriais calmantes. 

 Faça caminhadas como animais (urso, caranguejo, sapo, etc.). 

 Observe um animal. A observação de animais é uma ótima maneira de ensinar atenção plena às crianças. 

 Experimente uma curta meditação guiada para crianças. 

 Brinque com água. 

 Ouça música, faça alongamentos, peça um abraço. 

 Concentre-se no que realmente importa. 

 Beba um copo de água mais fresquinha, costuma baixar a ansiedade. 

 Vá brincar ou caminhar ao ar livre. Entre em contato com a natureza. Pesquisas indicam que apenas segurar algo da natureza ou assistir a um vídeo sobre a natureza produz efeitos calmantes no cérebro. 

 Faça uma massagem nas mãos. 

 Estimule os sentidos: Exercício: Desafio 5-4-3-2-1. Cite cinco coisas que você pode ver, quatro coisas que você pode ouvir, três coisas que você pode tocar, duas coisas que você pode cheirar e uma coisa que você pode provar. Isso ajuda a nos puxar para os sentidos do nosso corpo e para fora do nosso “centro emocional” excessivamente ativado do cérebro. 

Por fim, cada criança tem sua preferência de estratégia e elas também mudam conforme seus estágios de desenvolvimento, situações ou idades. Permita que seu filho identifique e expresse totalmente uma ampla gama de emoções e demonstre que sempre é possível manter a calma. Toda vez que ele conseguir lidar com uma situação de frustração e raiva, e retomar a calma, elogie por seus esforços. Assim você estará formando um adulto emocionalmente saudável e mais feliz! 

Por Patrícia Santos 

Consultora, escritora e palestrante, docente em cursos de pós-graduação em diversas instituições pelo país. É especialista em Anger Management (Gerenciamento da Raiva), pela National Anger Management Association – NAMA de Nova Iorque, EUA, onde também é fellow. É coautora do livro “Raiva, quem não tem?”. A obra é um verdadeiro crossfit emocional que não só discorre sobre o tema, mas também ensina o leitor a medir, encarar, transformar e a seguir em frente. 

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