Inseminação artificial caseira é considerada crime e traz riscos à saúde

Nunca imaginei que isso poderia ser possível, mas tem gente que faz . Portanto é importante o alerta !

Ao praticarem a inseminação artificial caseira, sem acompanhamento médico, as mulheres estão expostas a doenças transmissíveis pelo sêmen. Hepatite B, hepatite C e HIV são algumas delas

Um estudo de 2017, publicado na revista Emerging Infectious Diseases, sugeriu que o sêmen humano pode conter cerca de 27 vírus diferentes. O zika vírus e o ebola foram indicados como algumas doenças transmitidas através do sêmen, além das hepatites B e C, HIV, meningite e rubéola. Mesmo assim, tem crescido o número de mulheres que realizam, como método de reprodução nada seguro, a inseminação artificial caseira.

Para tentar realizar o sonho de ser mãe, algumas mulheres ou casais homo afetivos andam se reunindo nas redes sociais com o intuito de encontrar um homem disposto a ceder sêmen, para inserirem em seu próprio corpo, em casa, sem supervisão médica. Mas será que elas estão cientes do risco que correm?

Segundo o Dr. Mario Cavagna, diretor da Divisão de Reprodução Humana do Hospital Pérola Byington e integrante da equipe médica da Genics Medicina Reprodutiva, as mulheres correm muitos riscos em manipular uma amostra seminal desconhecida. “O doador pode ser portador de uma doença infecciosa, como hepatite C ou HIV, por exemplo. Do ponto de vista técnico, os procedimentos de reprodução humana devem ser realizados por uma equipe médica, em uma clínica preparada, onde serão solicitados os devidos exames do doador para avaliar seu estado de saúde, além da supervisão em relação ao controle da ovulação, para saber o momento certo da inseminação e garantir um atendimento especializado. Realizar a inseminação de forma amadora é uma barbárie”, alerta o especialista, que já foi presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana no biênio 2015/2016.

Além disso, o uso de um instrumento como o espéculo, utilizado para abrir as paredes da vagina, e a introdução de cateteres e outros instrumentos podem trazer riscos a mais quando feitos por um leigo. “A contaminação por bactérias e fungos presentes no ambiente também pode ocorrer quando a manipulação do sêmen é feita em ambientes abertos”, segundo informações divulgadas pela Anvisa, que não assume qualquer responsabilidade neste caso.

De acordo com o Dr. Mário, mesmo o tratamento saindo mais caro em uma clínica, não há justificativa para colocar a vida em risco. “As mulheres deveriam se reunir, isso sim, para batalhar por mais direitos, como ter mais acesso aos tratamentos de reprodução humana no SUS, cobrar coberturas mais amplas dos planos de saúde para essa finalidade, mas jamais se exporem dessa forma”, diz.

Vale saber também que, no Brasil, é proibido todo tipo de comercialização de material biológico humano de acordo com o art. 199 da Constituição Federal de 1988. Toda doação de substâncias ou partes do corpo humano, tais como sangue, órgãos, tecidos, assim como o esperma, deve ser realizada de forma voluntária e altruísta.

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