Junho é o mês do Orgulho LGBTQIA+, mas como lidar com esse assunto em família

Sabemos que a luta contra a LGBTI+fobia é constante na sociedade. Nos últimos anos, diversas iniciativas têm sido realizadas para promover a inclusão e a diversidade em toda a cadeia de valor em nosso país. No entanto, o Brasil ainda ocupa o primeiro lugar no ranking das Américas no quesito de homicídios de pessoas LGBTI+.

Quando pensamos na situação de alguém que se descobre homossexual, a primeira batalha a ser vencida é dentro de sua própria família. E, nesse momento, o papel da mãe é fundamental. Ela tem que ser a primeira a acolher o seu filho e a lhe dar a bênção para ser feliz. O apoio de uma mãe desde a infância pode ajudar o filho homossexual a vencer os preconceitos da sociedade.

Segundo o psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, criador das Constelações Familiares, a mãe é responsável pela nossa existência e tem que ser honrada. A mãe é quem nutriu seu filho desde o momento em que estava em seu útero, permitindo que o mesmo sobrevivesse no mundo exterior. Em suma, a mãe corresponde ao sucesso e, portanto, uma relação bem resolvida com a mãe será responsável pelo sucesso de seu filho.

À medida que as crianças crescem, perguntas sobre o tema podem surgir e os pais devem estar abertos para conversar naturalmente com os filhos e responder às suas dúvidas.

“Os pais devem falar sobre questões LGBTI+ assim como qualquer outro tema da vida, como as questões de deficiência, gênero, raça e cor, por exemplo, respeitando o contexto familiar, questões religiosas e os valores da sociedade”, afirma Reinaldo Bulgarelli, educador e secretario executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+. Ele explica que a criança terá entendimentos diferentes a depender de sua idade e o principal é que compreenda que o respeito ao outro, diferente ou não, é essencial.

Junho é o mês que o Orgulho LGBTQIA+ ganha força e é importante entender mais sobre o assunto:

LGBTQIA+

Um movimento político e social que defende a diversidade e busca mais representatividade e direitos para a comunidade. O seu nome demonstra a sua luta por mais igualdade e respeito à diversidade.

L = Lésbicas 

São mulheres que sentem atração afetiva/sexual pelo mesmo gênero, ou seja, outras mulheres. 

G = Gays

São homens que sentem atração afetiva/sexual pelo mesmo gênero, ou seja, outros homens. 

B = Bissexuais 

Diz respeito aos homens e mulheres que sentem atração afetivo/sexual pelos gêneros masculino e feminino. 

T = Transexuais 

A transexualidade não se relaciona com a orientação sexual, mas se refere à identidade de gênero. Dessa forma, corresponde às pessoas que não se identificam com o gênero atribuído em seu nascimento. As travestis também são incluídas neste grupo. Porém, apesar de se identificarem com a identidade feminina constituem um terceiro gênero. 

Q = Queer

Pessoas com o gênero ‘Queer’ são aquelas que transitam entre as noções de gênero, como é o caso das drag queens. A teoria queer defende que a orientação sexual e identidade de gênero não são resultado da funcionalidade biológica, mas de uma construção social. 

I = Intersexo 

A pessoa intersexo está entre o feminino e o masculino. As suas combinações biológicas e desenvolvimento corporal – cromossomos, genitais, hormônios, etc – não se enquadram na norma binária (masculino ou feminino). 

Assexual 

Assexuais não sentem atração sexual por outras pessoas, independente do gênero. Existem diferentes níveis de assexualidade e é comum que estas pessoas não veem as relações sexuais humanas como prioridade. 

+

O + é utilizado para incluir outros grupos e variações de sexualidade e gênero. Aqui são incluídos os pansexuais, por exemplo, que sentem atração por outras pessoas, independente do gênero. 

O que é a LGBTI+fobia e como denunciar?

A LGBTI+fobia é um termo utilizado para definir crimes cometidos contra pessoas LGBTI+. Neste caso, o estigma, o preconceito, a discriminação, o bullying e a violência, bem como a acepção em decorrência de orientação sexual ou identidade de gênero e sua expressão de gênero é considerado LGBTI+fobia.

Embora o Brasil tenha apresentado um avanço importante com a criminalização da LGBTI+fobia, o país ainda ocupa o primeiro lugar no ranking das Américas no quesito de homicídios de pessoas LGBTI+, conforme dados veiculados pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais (ILGA). Para se ter uma ideia, a cada 19 horas, uma pessoa morre em decorrência de sua orientação sexual. É por esse motivo que a denúncia contra a LGBTI+fobia é uma medida que deve ser sempre seguida por todos.

“Quem passa por situações de LGBTI+fobia não deve ficar calado. Quando a pessoa sofre em silêncio, aquele problema persiste apenas para ela. No entanto, a partir do momento em que ela toma a iniciativa de realizar a denúncia, conseguimos fazer todos os encaminhamentos legais, abrimos uma investigação sobre o episódio e, dessa forma, cobramos um posicionamento do poder público e das defensorias”, informa Toni Reis, diretor presidente da Aliança Nacional LGBTI+.

Além do Disque 100 e do Conselho Tutelar (no caso de quem é menor de idade), existem delegacias especializadas em crimes contra intolerância onde podem ser feitas as queixas de crimes contra pessoas LGBTI+. Em alguns casos, as Delegacias de Defesa da Mulher também podem servir de apoio para registrar os episódios, como explica Lucas Bulgarelli, diretor do Instituto Matizes, organização independente direcionada à produção de dados e difusão de conhecimento sobre equidade.

De acordo com o diretor do Instituto Matizes, no caso do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos (em São Paulo, o Disque Denúncia é o 181 e é administrado pela SSP/SP), são exigidas as seguintes informações no atendimento: quem sofreu a violência, qual tipo (física, psicológica, maus tratos e abandono, por exemplo), quem praticou, como localizar a vítima, há quanto tempo ocorreu, em qual local, horário, entre outros dados. As denúncias são recebidas e encaminhadas aos órgãos responsáveis.

“Muitas pessoas partem da percepção de que uma violência só ocorre em situações extremas, ou seja, que envolvem agressão física ou risco de vida a alguém. Contudo, também é importante levar em consideração as violências verbais e psicológicas que muitas vezes compõem esses quadros”, descreve Lucas. “As denúncias de LGBTI+fobia abrem caminho para a conscientização sobre o tema e faz com que os indivíduos relacionados aos episódios compreendam a gravidade da situação e suas consequências. Por meio de ferramentas como o Disque 100 é possível mensurar o impacto da violência no Brasil e suas especificidades”, complementa.

A Aliança Nacional LGBTI+, organização da sociedade civil, pluripartidária e sem fins lucrativos que trabalha com a promoção e defesa dos direitos humanos e cidadania da comunidade LGBTI+ também possui uma Central Nacional de Denúncias onde é plausível formalizar crimes de LGBTI+fobia. Para isso, basta acessar a página , preencher o formulário e as equipes estarão em prontidão para atendimento. Além disso, em virtude do aumento de casos de LGBTI+fobia e de grupos LGBTI+fóbicos no Brasil, a Aliança Nacional LGBTI+ tem divulgado um alerta com 11 dicas de segurança.

“Se a pessoa está sofrendo LGBTI+fobia, deve buscar redes de apoio, pessoas ou instituições que garantam o seu bem-estar, segurança e integridade a nível imediato, como o exemplo das casas de acolhida. Ao contrário do que se possa imaginar, muitos casos não acontecem na rua, mas dentro de casa”, salienta Bulgarelli. “Nessas situações, é preciso primeiro garantir os meios materiais e psicológicos para essa pessoa sobreviver e, em seguida, apresentar grupos, iniciativas ou associações da sociedade civil e do movimento LGBTI+ que permitam a ela compreender a violência pela qual passou e para que ela se aceite como é”, conclui Lucas

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