Mães de crianças autistas apelam aos Planos de Saúde para que filhos tenham direito ao tratamento

A Lei 13.438/2017, sancionada em 2017 no Diário Oficial da União, e que entrou em vigor há um ano, obriga que o SUS adote protocolos que estabeleçam padrões para a avaliação de riscos ao desenvolvimento psíquico de crianças de até 18 meses de idade. A Lei tem facilitado a detecção precoce de sinais atípicos no desenvolvimento das crianças, como por exemplo o transtorno do espectro autista (TEA) e tem permitido que tratamentos adequados sejam iniciados antes dos dois anos de idade.

Segundo dados do CDC (Center of Diseases Control and Prevention – Centro de Controle e Prevenção de Doenças), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, existe hoje um caso de autismo a cada 68 crianças. Estima-se, que no Brasil, cerca de dois milhões de famílias convivem com o transtorno do neurodesenvolvimento, que é caracterizado principalmente por dificuldades de comunicação e interação social, podendo apresentar padrões de comportamentos restritos e repetitivos, como também déficits intelectuais.

Mesmo que não exista um diagnóstico fechado, a detecção de alguns sinais de autismo, como atraso na fala e comunicação social, ausência de imitação e seguimento de instruções básicas, pouco contato visual, sorriso recíproco e descontextualizado, além de outras características, já podem ser observados antes dos 18 meses. Esse período é crucial no desenvolvimento infantil, uma vez que a neuroplasticidade cerebral é maior nos primeiros meses de vida. Quanto antes o tratamento adequado for iniciado, maior a chance de se criar novas conexões neuronais, na qual o cérebro se adapta, muda e se desenvolve, resultando positivamente e diretamente na qualidade de vida das famílias.

Além do acompanhamento do médico, psiquiatra ou neurologista, a Terapia em ABA (Análise do Comportamento Aplicada), que já é indiscutível em países de primeiro mundo, vem se tornando cada vez mais popular no Brasil e é a intervenção mais indicada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), pois tem comprovação científica em sua eficácia.  Essa terapia se caracteriza pelo número intensivo de horas devidamente planejadas e estruturadas para cada indivíduo e suas necessidades, e é capaz de desenvolver desde habilidades básicas, como seguimento de instruções simples, até promover a inserção no mercado de trabalho de jovens e adultos com TEA.

O autismo não tem cura, porém com uma terapia intensiva, número de horas indicadas e profissionais capacitados para tal intervenção, a criança tende a evoluir consideravelmente, podendo adquirir habilidades compatíveis com as das crianças de mesma faixa etária, que não apresentam o transtorno, e apresentando o máximo de autonomia e bom prognóstico para a vida adulta.

Mães de crianças autistas apelam aos Planos de Saúde para que filhos tenham direito ao tratamento, e enviaram uma carta aos diretores de Planos de Saúde com um desabafo das mães que clamam pelo direito à saúde dos filhos, visto que os filhos conseguem ser tratados apenas após pedido judicial, assim como pessoas com câncer que apelam à justiça para conseguirem custeio do valor dos medicamentos de alto custo.

Segue trecho da carta:

 

…”O ideal seria que tivessem uma equipe com profissionais especializados no assunto, mas muitos profissionais associados ao plano de saúde nos deixaram mais confusas e desorientadas do que já estávamos.

Ficamos obcecadas por informações, pesquisamos tudo que podia ser feito, lemos teses de mestrado e doutorado, vimos o que faziam no exterior, e buscamos o melhor médico para os nossos filhos, que nos confirmou aquilo que já havíamos lido: a Terapia ABA é o único tratamento com comprovação científica de melhora. E para nossa surpresa, o plano de saúde não possuía profissionais nessa área.

Precisamos contar com muita força para encarar a negativa do plano em prover o único tratamento que poderia dar uma esperança de futuro para os nossos filhos”…

…”Espero que o poder judiciário do nosso país – que já está tão aquém dos outros países em relação ao verdadeiro tratamento, intervenção e inclusão dos autistas – unam forças conosco, mães atípicas, que só desejam o melhor para os filhos.

Desejamos para os nossos filhos, provavelmente, o mesmo que os senhores desejam para os seus: que sejam felizes, independentes, respeitados, amados e protegidos. Esperamos que, de alguma forma, esta carta chegue a alguém que faça diferente do que vem sendo feito. Que possamos acreditar que existam, sim, aí também, seres humanos por trás de ternos”.

 

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