Maratonista Aquático fala sobre prevenção contra afogamentos no Verão

O verão está chegando, as temperaturas já estão se elevando e as idas para piscina, praia e represas tornam-se mais frequentes pelas famílias em todo o Brasil. Apesar dos dados alarmantes, os afogamentos ainda não recebem a devida atenção e são notícias frequentes na imprensa.

“Embora o afogamento infantil seja comum, muitos adultos se colocam em situação de risco desnecessariamente. Cerca de 46,6% dos afogados acham que sabem nadar. Além disso, o uso de bebidas alcóolicas tira o senso de perigo. Dentro mar e pela condição do uso do álcool, as pessoas não tem a mesma resistência física para sair de uma corrente de retorno ou de um buraco. Por isso, é muito importante ficar em alerta constante”, conta Samir Barel, ultramaratonista aquático.

Segundo o nadador, medidas simples podem ajudar a evitar grandes desastres. “Onde houver correnteza, não ultrapasse a linha do joelho para não tomar uma rasteira ou ser surpreendido por depressões no solo, ondas e correntes inesperadas. Muita atenção para as placas de sinalização do Corpo de Bombeiros nos locais de maior perigo. Entre na água apenas em lugares seguros. Em caso de perigo, procure manter a calma e não nade contra a correnteza. Sinalize com os braços para pedir ajuda e procure boiar”, reforça.

Nesse período, uma atenção especial deve ser dada as crianças. Afogamentos são a segunda maior causa de óbitos entre crianças de 1 a 4 anos de idade. Cerca de 52% das mortes entre crianças na faixa dos 1 a 9 anos de idade ocorrem em piscinas e residências.* Para Samir, muitos pais colocam os filhos em aulas de natação desde cedo buscando prevenir acidentes, mas apenas isso não é suficiente.

“O principal problema é que a criança não tem medo. Ela vai para o fundo achando que tudo bem porque ela já sabe nadar. Mas a criança não sabe que a correnteza pode puxá-la, que um barco pode passar, que alguém pode se afogar e tentar puxar ela tentando se salvar. Criança continua sendo criança, ela não tem discenimento e naturalmente se arrisca”, destaca Samir Barel, educador físico e ultramaratonista aquático.

Samir, que também é sócio-proprietário da Elo Academia, alerta que afogamentos ocorrem muitas vezes dentro de casa em locais como vaso sanitário, banheira, balde, tanque, maquina de lavar e outros recipientes que acumulam água.

“Crianças são naturalmente curiosas e vale lembrar que o centro de gravidade e equilíbrio delas é diferente do adulto. A parte superior do corpo é maior e mais pesada, pois o corpo ainda está se desenvolvendo. Portanto, quando uma criança se inclina para frente ou se debruça sobre algum lugar, ela tende a se desequilibrar e cair mais facilmente. Por isso, nunca deixe “nem por um minutinho” uma criança ou bebê sem supervisão. Ainda mais hoje, quando o celular acaba atraindo demais nosso olhar, bastam poucos instantes de desatenção para um afogamento infantil acontecer”, reforça o nadador.

*Compilação de dados SOBRASA 2018, por INATI – Instituto de Natação Infantil.

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