Mitos e verdades sobre a vitamina D

Em agosto, completam-se 100 anos desde o primeiro estudo sobre vitamina D, nutriente cuja deficiência tornou-se um problema de saúde global, atingindo 88% da população mundial, de acordo com estudo publicado no The Journal of Nutrition. Entre as principais causas, Dr. Héctor Cori, diretor científico da DSM para América Latina, aponta a menor exposição solar, fonte de 80%-90% da vitamina D.

Comumente associada à saúde óssea, a vitamina D é fundamental também para outros benefícios de saúde, incluindo a imunidade, estando associada a um menor número de infecções. Ponto este que gera cada vez mais interesse pela população, como identificou o estudo Consumer Immunity Panel, realizado pela DSM em 2020 com 12 mil pessoas em 24 países. A pesquisa mostrou que a imunidade foi classificada como uma das três principais preocupações de saúde dos entrevistados e que aproximadamente 65% dos consumidores preocupam-se em aumentar suas defesas.

Ainda há dúvidas sobre por que é tão difícil normalizar os níveis de vitamina D, seus benefícios e como fazer, no entanto, ainda são comuns. Dr. Héctor Cori, diretor científico da DSM para América Latina, esclarece alguns mitos e verdades em torno do assunto:

1. É verdade que a vitamina D pode ajudar na prevenção de gripes ou resfriados?
Verdade. Assim como várias outras vitaminas, a D desempenha um papel imunoregulador. Isso acontece porque os linfócitos (células que fazem parte do sistema imunológico), apresentam receptores para a vitamina D, e quando os níveis estão adequados, podem atuar melhor no combate a infecções. Sendo assim, nosso organismo responde mais rápido ao processo de recuperação. Além de ter grande importância para nossa imunidade, a vitamina D também auxilia nosso organismo a absorver cálcio e fósforo — suportando a saúde e o bem-estar.

2. A vitamina D pode atuar também de forma positiva na recuperação de infecções respiratórias.
Verdade. Diversos estudos comprovam que a vitamina D é capaz de articular o sistema imune inato, ou seja, barreiras que compõem a primeira linha de defesa do organismo. Resultados recentes da National Health and Nutrition Examination mostraram que o risco de infecções do trato respiratório foi 25% maior nas pessoas com baixos níveis de vitamina D, em comparação com aquelas que continham níveis mais elevados do nutriente. Outro estudo, publicado em 2017 pelo British Journal of Medicine, mostrou que a suplementação de vitamina D mostrou-se eficaz para pessoas com níveis séricos abaixo de 25 nmol/l na prevenção de infecções respiratórias agudas.

3. Não é indicado aumentar a exposição ao sol para normalizar os níveis de vitamina D mais rapidamente.
Verdade. Apesar de o sol ser essencial para a absorção da vitamina, não é recomendado exagerar, 15-20 minutos ao dia já são suficientes e podem auxiliar a alcançar 10 mil unidades de vitamina D. A contraindicação acontece porque, para que haja absorção, é necessário que a exposição seja feita sem protetor solar e, se possível, com braços e pernas expostos, pois a quantidade de vitamina D obtida é proporcional à pele exposta. Fazer isso por um tempo prolongado pode trazer diversos riscos à saúde da pele. Qualquer ação deve ter o acompanhamento de um especialista, para que o oriente detalhadamente, de acordo com seu histórico e necessidades.

4. Idosos têm maior dificuldade de absorção de vitamina D.
Verdade. Existem grupos mais suscetíveis à deficiência e à insuficiência de vitamina D, como indivíduos de fototipos elevados, crianças, gestantes e idosos. Um estudo realizado em Toronto com grupos de 77 a 82 anos, na comparativa com pessoas de 8 a 18 anos, revelou a queda de quase pela metade na capacidade de produção do nutriente com o aumento da idade. Além de o envelhecimento ser considerado um fator de risco para a absorção da vitamina D, com o passar dos anos, a exposição solar fica limitada por alterações no estilo de vida, uso de roupas mais fechadas, perda da mobilidade e redução das atividades ao ar livre.

5. Vegetarianos e veganos têm baixos níveis de vitamina D por conta da restrição alimentar.
Mito. Não necessariamente a alimentação é a causa dos baixos níveis de vitamina D no organismo. Ela é, de fato, encontrada em maior concentração na gordura de peixes e em produtos lácteos, mas os alimentos não são a principal fonte de obtenção do nutriente. O sol é o responsável por 80%-90% da absorção e a correta exposição diária pode ajudar a normalizar os níveis séricos no organismo, podendo ser complementada com suplementos, caso haja recomendação médica. O ideal é estar sempre com exames em dia e buscar fontes alternativas para normalizar os índices, se necessário.

6. Determinadas substâncias, como a cafeína, prejudicam a absorção das vitaminas pelo nosso organismo.
Verdade. Refrigerantes de cola, café, chá preto e outros ricos em cafeína podem atrapalhar a absorção de algumas vitaminas, como B e D. O mesmo acontece com a ingestão de bebidas alcoólicas, que afetam a absorção do cálcio e reduz a resposta do organismo à vitamina D. Já o tabaco prejudica o aproveitamento da vitamina E, enquanto o excesso de consumo de fibras dificulta a assimilação das vitaminas A, E e D pelo nosso organismo.

7. A vitamina D protege contra a Covid-19 e outros vírus?
Mito. A vitamina D é um agente propulsor de melhores condições relacionadas à imunidade e ao quadro de infecções respiratórias, no entanto, não foi comprovada uma relação entre o nível de vitamina D e prevenção do coronavírus. O que se demonstrou foi que pessoas com níveis normais ou elevados de vitamina D teriam um menor risco de serem acometidas pela Covid 19 ou de desenvolver quadros graves da doença, mas isso não significa que elas não possam ser contaminadas. A vacina é a melhor forma de se proteger contra o vírus, além do uso de máscara, higiene das mãos e o distanciamento social.

8. Não existe limite para o consumo de vitaminas, quanto mais, melhor.
Mito. Nada em excesso é bom, inclusive a absorção vitamínica. O suplemento deve ser administrado da forma correta e em doses adequadas, o que ocorrerá de acordo com a avaliação clínica de cada paciente, além de sua idade e condições físicas. A hipervitaminose, isto é, quando a o nível de vitamina ultrapassa os limites máximos recomendados, que no caso da D é de 100 mcg, pode causar problemas importantes, como o acúmulo de cálcio e outras complicações. Porém, há um ponto fundamental a se desmistificar: as vitaminas são bem toleradas e há uma ampla margem de segurança, sendo preciso doses muito superiores ao recomendado para que cause algum distúrbio. Por conta disso, a carência de vitamina D tem sido mais preocupante que o excesso.

9. Suplementos de vitamina D podem ser utilizados mesmo sem a pessoa fazer exame de sangue antes?
Verdade. Os produtos que contém vitamina D na quantidade de até 2000UI são classificados como suplementos alimentares e considerados seguros para a utilização em pessoas saudáveis como forma de complementar as necessidades diárias de vitamina D. O seu médico ou nutricionista, pode indicar um desses suplementos, baseado na sua história (anamnese), mesmo sem a dosagem da vitamina no sangue. O exame, em geral, é solicitado pelo médico sempre que há suspeita de deficiência de vitamina D.

Dr. Héctor Cori é engenheiro de alimentos, com ênfase em Ciência e Tecnologia de Alimentos, pela Universidade do Chile. O especialista atua como diretor científico da DSM para a América Latina, empresa global baseada em saúde, nutrição e biociência.

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