Nem sempre um beijinho resolve!

Por Daniele Salvaia Jepes Rentroia.

Sou mãe de três: Arthur com 16, Leonardo com 10 e o Guilherme com 2 anos e já vivi diversas experiências “dolorosas” com meus filhos. Confesso que em muitas dessas situações quando fosse possível, oferecia como consolo um beijinho no local da dor, e dizia: “Vá descansar, feche os olhinhos, sente-se que já já passa” e na maioria dos casos realmente passava. Hoje sei que tinha sucesso por não se tratar de algo grave, mas foi em uma aula na minha especialização que ouvi de uma pediatra a seguinte frase logo no início da aula:

Por que achamos que as crianças sentem dores menores que as nossas? Por que temos a tendência de subjulgar a dor nas crianças? Peço a vocês, que são pais e mães nessa sala que saiam daqui com seus conceitos mudados“. E assim o fiz. Desde aquela aula dou mais atenção aos relatos de dor nos meus meninos.

Segundo o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, resolução n° 41 de Outubro de 1995 (DOU 17/19/95), toda criança tem o DIREITO de ter sua dor adequadamente TRATADA. Sabendo na experiência clínica que avaliar a dor em uma criança não é uma tarefa fácil, usamos de desenhos que expressam a dor de forma lúdica, avaliamos alguns sinais como a expressão facial, a expressão do corpo, choro ou sinal expressivo de dor em algum movimento específico, e outros sinais que a criança vai oferecendo durante a consulta fisioterapeutica. As crianças precisam de muita afetividade durante o tratamento e trazer os exercícios de reabilitação dentro do contexto que elas mais gostam de executar.

Acreditar e acompanhar a dor nas crianças é uma obrigação dos pais. Crianças não costumam mentir sobre suas dores. A persistência de semanas em um quadro doloroso precisa ser investigada por um médico especialista e devemos ter a atenção para alguns sinais clínicos importantes a serem acompanhados, podendo ser isolados ou não:

Choro / gemidos / resmungos constantes,

Postura anormal ( pernas fletidas por exemplo),

Mudança na expressão facial (sombrancelhas franzidas por exemplo),

Irritabilidade / raiva,

Perda de apetite,

Perturbações do sono,

Prostração (fraqueza, abatimento, moleza),

Perda de rendimento escolar.

A DOR não é caracterizada como doença mas sim como um sinal de alerta de que algo em nosso organismo não está bem! Em muitos casos a dor desaparece no dia seguinte com o auxilio do beijinho ou de um remedinho, mas se o alerta persistir, procurem um especialista para um diagnóstico clínico.

Minha paciente de 9 anos levou 6 meses para diagnosticar uma lesão no joelho que a limitava em brincar, praticar atividades físicas e até manter-se de pé por alguns minutos. A mãe não desistiu. Hoje ela está ótima, sem dor e brincando como uma criança deve fazer.

 

Daniele Salvaia Jepes Rentroia

Fisioterapeuta

Crefito: 132505/3

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