NOVEMBRO ROXO

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No mês da prematuridade, especialistas contam quais os novos recursos atuais que ajudam a salvar recém-nascidos de poucas semanas

A gravidez corria bem até que, praticamente na metade do termo, Suzane Nunes deu à luz. Seu filho Diego nasceu aos cinco meses, com 23 semanas e apenas 555 gramas. Foram quase quatro meses na UTI Neonatal da Perinatal Laranjeiras, onde passou por três cirurgias e três transfusões de sangue.  Ele recebeu alta pesando 2.310 kg e com 44 centímetros. O “pequeno grande homem”, como foi carinhosamente apelidado pela equipe médica na época, por sua densa batalha, faz parte dos 340 mil bebês que nascem prematuros todo ano, o equivalente a 931 por dia ou a seis prematuros a cada 10 minutos.

“Quando Diego nasceu foi muito difícil para a gente porque ele era prematuro extremo e não sabíamos o que era isso. A gente ficou muito assustado, não conhecíamos nenhuma história sobre prematuridade e não tínhamos tido essa experiência ou nada parecido”, conta o pai, Cláudio Roberto Nunes, que na época prometeu que subiria as escadas da maternidade de joelhos, do térreo ao quinto andar, onde seu filho ficou, em agradecimento a Deus. E assim foi.

Hoje, Diego leva uma vida normal, mas essa história poderia ser diferente há alguns anos. Por décadas, muitos médicos perdiam seus pacientes pela limitação técnica e tecnológica da própria medicina. Não se tinham tantos recursos e os profissionais trabalhavam por meio da percepção e do tratamento tardio. Com isso, muitos sintomas não visíveis passavam despercebidos, desperdiçando um tempo precioso que poderia salvar vidas ou evitar graves sequelas. Se há 25 anos a sobrevivência de bebês com 500 gramas ou nascidos com apenas 24 semanas de gestação ficava entre 20% e 30%, hoje, as chances são de até 90%.

Dr. Jofre Cabral, diretor clínico da UTI Neonatal da Perinatal Laranjeiras, que cuidou do Diego, explica que o segredo é a precisão e agilidade no diagnóstico e tratamento, especialmente quando o bebê vai para a UTI Neonatal. “Quando recebemos um bebê com prematuridade extrema, imediatamente fazemos os exames necessários para identificar problemas que não podem ser vistos a olho nu. Como muitos casos apresentam apenas sintomas subclínicos, é de vital importância para antecipar problemas que podem se tornar graves”, explica o médico.

Ele, que já cuidou de bebês de até mesmo de 385 gramas, cita como exemplo o eletroencefalograma ampliado, que faz análise da atividade elétrica do cérebro e sua função neurológica em dois canais, e o ultrassom transfontanela, usado para avaliar a  anatomia cerebral e abdominal e, assim, identificar malformações no sistema nervoso, hemorragias intracranianas e alterações hepáticas.

No caso de Diego, foram necessárias a cirurgia para correção visual, conhecida como retinopatia através da laserterapia e outra para corrigir uma hérnia inguinal. Além disso, ele teve que superar a imaturidade do pulmão que é extremamente grave, ficando 54 dias no respirador de ventilação mecânica, depois 25 dias na ventilação não invasiva, chamada CPAP, mais quatro dias no capacete de oxigênio e oito dias com o cateter nasal de oxigênio. 

Ainda na questão do tempo, Dr. Jofre ressalta que caso a gestante já tenha sinais de que o bebê possa nascer prematuramente, o indicado é fazer um planejamento para parir em unidades prontas para o rápido atendimento de emergência, evitando transferências que podem ser dificultadas pelo estado de saúde da paciente. “O útero é melhor transporte mais seguro para o bebê”, afirma.

“Além dos equipamentos de ponta, a experiência que acumulamos na Perinatal durante esses anos nos trouxe pleno entendimento da fisiopatologia do bebê prematuro. Nos tornamos referência no tratamento de malformações congênitas, como a hérnia diafragmática e a mielomeningocele, com experiência no atendimento pré e pós-operatório”, explica o médico.

Dr. Jofre destaca ainda que, com toda essa tecnologia, nada substitui o afeto dos pais. A humanização é e sempre será o grande trunfo na recuperação de prematuros extremos nas unidades intensivas. “Respeitamos os horários do bebê, abaixamos as luzes na hora de descanso e trabalhamos para aproximar o paciente da mãe através de técnicas simples como o canguru, que melhora o desenvolvimento da criança a olhos vistos. Isso muda o prognóstico da criança. Sem dúvidas, a combinação entre conhecimento, tecnologia e o colo da mãe tem sido o nosso grande alicerce”, afirma Dr. Jofre.

 

CONHEÇA ALGUNS EQUIPAMENTOS QUE HOJE AJUDAM A SALVAR PEQUENAS VIDAS

 

TECNOLOGIAS DE SUPORTE

Ventiladores de alta frequência – Ajudam  o prematuro com doenças pulmonares graves a respirar;

Incubadora Giraffe – Berço de calor radiante com regulagem de altura e abertura superior para que o médico tenha melhor acesso ao bebê. Pode ser usado em cirurgias.

 

TECNOLOGIAS DE MONITORIZAÇÃO E DIAGNÓSTICO

Eletroencefalograma ampliado (aEEG) – Faz análise da atividade elétrica do cérebro e sua função neurológica em dois canais. A sua vantagem é a monitorização por meio de vídeo. É usado em bebês de prematuridade extrema, com encefalopatia hipóixico isquêmica, convulsão ou asfixia. Como muitos casos apresentam apenas sintomas subclínicos, é de vital importância para antecipar problemas que podem se tornar graves.

 

Near Infrared Spectroscopy (NIRS) – Avalia a saturação de oxigênio no sangue capilar, com o objetivo de evitar a morte de células e tecidos por baixa oxigenação sanguínea, o que comprometeria o metabolismo e o organismo. O monitoramento com o NIRS é contínuo em pacientes instáveis.

Monitores multifunção – Avalia a saturação de oxigênio arterial, bem como a pressão sanguínea, a respiração e a frequência cardíaca. Auxilia na avaliação das condições clínicas dos pacientes.

Ultrassom transfontanela – Utilizado para avaliar a  anatomia cerebral e abdominal, identificar malformações no sistema nervoso, hemorragias intracranianas e alterações hepaticas. O diferencial deste aparelho é a especificidade de 100% e o fato de não ter radiação ionizante.

Ecocardiograma – Equipamento que identifica cardiopatias congênitas e alterações hemodinâmicas como disfunção cardíaca e hipertensão pulmonar. Usado muitas vezes para diagnosticar a Persistência do Canal Arterial e presença de sopros no coração.

 

TECNOLOGIAS PARA SUPORTE E TRATAMENTO

Fototerapia de alta intensidade/ Biliberço – O equipamento é usado em casos de icterícia neonatal para controlar os níveis de bilirrubina no sangue e evitar a ocorrência de  Kernicterus, doença em que o depósito do pigmento bilirrubina pode causar problemas neurológicos graves. Antes era necessária a troca do sangue (exsanguíneotransfusão) para salvar o bebê. Esse equipamento eliminou a necessidade.

Óxido nítrico – Em casos de hipertensão pulmonar, a utilização deste gás promove a dilatação dos vasos pulmonares e melhora a oxigenação do sangue do paciente, salvando vidas. 

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(Um hospital vestiu os bebés prematuros de Super-heróis para os ajudar a lutar pelas suas vidas)

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