O que é autoalienação parental?

Especialista Cláudia Stein explica situação em que o próprio genitor se afasta da criança

Ela se dá quando o próprio genitor é quem provoca o afastamento da criança ou adolescente, muitas vezes por não saber lidar com a ruptura da relação e descontando seus sentimentos no filho. Após a separação do casal, alguns pais não conseguem manter vínculos com seus filhos por suas próprias dificuldades emocionais ou até mesmo por maltratar os filhos.

A autoalienação é diferente da alienação parental, que se caracteriza pela campanha de desqualificação do outro genitor. Ela pode acontecer de maneira consciente ou inconsciente, seja pelo tratamento ríspido, omissão, falta de carinho ou até mesmo pela exigência de adaptação dos filhos ao novo companheiro.

São situações como:

– passar um longo tempo sem ver o filho;

-tratar mal os filhos, fazendo-os se afastar desse genitor;

-dificuldade de adaptação do filho ao novo parceiro do pai/mãe, fazendo com que este pai/mãe ache que quem está dificultando a situação é o ex-cônjuge

A autoalienação é cruel, e atenta contra a dignidade das crianças e adolescentes prejudicando o desenvolvimento normal delas, o que se agrava no Brasil pela  falta de previsão legal.

A insegurança jurídica decorrente do desconhecimento da prática de autoalienação parental fazem com que muitos casos sejam conduzidos de maneira equivocada, atribuindo-se a um dos genitores a prática de alienação parental, quando, na verdade, se tem a situação inversa, que pode culminar em atos de autoalienação parental, sendo essencial o auxílio de profissionais para identificar as práticas e proteger a integridade da criança ou adolescente em questão.

Eu já vi casos de famosos que negaram a paternidade da criança, como o exemplo clássico do Pelé, que em 1992 fez um exame de DNA, provando que Sandra era filha do ex-jogador. Após recursos que se estenderam por mais quatro anos, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a paternidade e negou o pedido de um novo exame de DNA.

Mesmo com o fim da batalha judicial, que saiu de Santos e chegou a Brasília, Pelé preferiu não se aproximar da filha. ”Para mim, biologicamente, ela pode até ser minha filha. Mas, na parte sentimental, não posso me preocupar com essa pessoa, porque não a conheço”, disse ele na época.

Outro exemplo, é o caso do Steve Jobs que durante anos negou a paternidade e o sustento de que necessitava sua filha Lisa Brennan-Jobs.

A respeito da indiferença paterna, Lisa afirmou em entrevista ao The New York Times, que “eu era uma mancha em sua espetacular ascensão, já que a nossa história não se encaixava com a narrativa de grandeza e virtude que ele queria para si mesmo” ela disse também que o pai a obrigou a estar presente enquanto ele beijava e gemia ao tocar a esposa. “É importante que você tente fazer parte deste momento familiar”, disse ele.

Pela matéria, é possível perceber que o distanciamento entre ambos ocorreu por iniciativa do próprio Steve que contribuiu diretamente para alienação e perpetuação desta relação de conflito com Lisa.

Assim como o Steve e o Pelé, na prática, muitos pais se distanciam dos filhos, infelizmente!

A Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC) mostra que das 1.280.514 crianças nascidas somente em 2020, 80.904 não têm o nome do pai registrado na certidão de nascimento. No total são mais de seis milhões de crianças que só contam o nome da mãe no documento. Outro dado importante da Polícia Civil do Estado de São Paulo mostra que, de janeiro a outubro de 2017, foi registrada uma média diária de 64,8 prisões de pais que não pagaram pensão alimentícia para os filhos.

A autoalienação parental ainda é um tema novo, mas os olhares estão mais atentos a omissão do pai ou da mãe em relação a suas atitudes e responsabilidades previstas em lei. 

Se você está vivendo isso, não esqueça do carinho e do amor, e se estiver muito difícil, não hesite em buscar ajuda profissional

Deixe uma resposta