O silêncio que destrói relacionamentos

Pouco a pouco a comunicação foi perdida em todos os lugares, em casa, no trabalho e com os amigos. Hoje, ninguém quer falar mais, só querem escrever; enviar textos ou ver vídeos e coisas nas redes sociais, privando-nos assim de uma comunicação mais fluida, clara e precisa.

Todos os membros de uma família se enterram em vosso mundinho, e deixam de fora as relações interpessoais; rir  juntos, olhar cara a cara, abraçar e beijar antes de sair, ou quando chegar em casa, a saudação fraterna… são essas coisas que fortalecem os laços familiares.

O mais perigoso nos relacionamentos é o silêncio causado pelo fato de agora não querermos mais conversar. Se eu precisar de alguma coisa de você, pedirei por escrito. Você chega a esquecer os belos sons de cada voz em particular. Sons que se harmonizam e chegam ao ouvido para acariciá-lo com as palavras faladas.

As pessoas estão fisicamente presentes, mas as suas mentes nem sempre. No meio de uma reunião, na qual deveríamos dialogar para entender algo em profundidade, a gente olha para os participantes e vê várias pessoas com o celular na mão. Exemplos não faltam, desde o famoso “Desculpe, é meu chefe que quer uma resposta agora”, ou “Desculpe, é um problema e o funcionário precisa da resposta agora”, até um “Desculpe, é minha esposa ou marido precisando de muçarela para o jantar”, ou “Desculpe, é meu filho com problemas na internet”.

Estar presente fisicamente não quer dizer que está também concentrado no que tem que fazer. Isto tem sido um problema a ser administrado, pois as pessoas começaram a não estar mais presentes de fato. E não é só no ambiente corporativo que isso ocorre, você vê o casal na mesa ao lado, que saiu para jantar e conversar, e os dois estão olhando no celular.

Seria correto responder de qualquer jeito a todo mundo? Seria correto largar alguém do grupo falando sozinho porque meu líder me chamou no whatsapp? Seria correto responder todas as mensagens utilizando o celular no trânsito e colocando em risco a mim e aos outros?

Estamos vivendo um presenteísmo, estamos mais tempo no lugar, mas nunca estamos lá de verdade, já que ficamos conectados em muitos lugares simultaneamente. Este fator traz muitas angústias, faz com que nossa atenção não capte coisas importantes e que nossas decisões sejam tomadas baseadas em fragmentos e não do todo. Se, por conta disto formos – e estamos sendo – menos assertivos, causaremos desastres nas nossas vidas e nos negócios.

Vamos acordar para a voz, vamos acordar para as palavras, vamos ouvir os nossos entes queridos, vamos nos esforçar para deixar por alguns instantes esses dispositivos que tanto nos afastaram daqueles que amamos. Deixe-nos conhecer a força e o poder da comunicação verbal e não vamos permitir que o silêncio destrua lentamente nosso relacionamento familiar. Que infelizmente em muitas famílias já existe uma fratura que nos impede de nos comunicarmos como antes, é cada vez mais difícil expressar e comunicar nossos desejos pessoalmente, cara a cara.

É preciso colocar nossa mente e corpo presentes no mesmo tempo e espaço, em favor de boas ações que preservem as relações e que ajudem nas melhores decisões para todos. É preciso respeitar certos limites para vivermos bem conosco e com os outros. Não se trata do que a tecnologia é capaz de nos proporcionar, pois somos levados por ela, mas de como decidimos usá-la em nosso favor e em favor da construção de uma sociedade mais ajustada para todos.

Quando chegarmos em casa, acaricemos os nossos entes queridos com o som da nossa voz, com a essência de uma boa conversa e assim saremos os golpes e feridas do cotidiano.

Vamos dizer não ao silêncio e buscar uma boa comunicação familiar para fortalecer nossos laços e união.

Ter uma família unida e forte onde a boa palavra flui, traz um melhor entendimento e harmonia no lar.

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