Os desafios na hora de conciliar a maternidade com a vida profissional – e como as empresas impactam

Eu sempre trabalhei em empresas, desde que me formei na faculdade de jornalismo, atuando na área de Comunicação. E quando tive filho, percebi que a rotina de trabalho já não condizia mais com o meu ritmo de vida. Ficou difícil conduzir as duas tarefas: mãe e profissional.

Na empresa onde eu estava, sequer tinha um espaço para eu retirar o leite do peito durante o expediente, ou, para amamentar.

Ser mãe não é uma tarefa fácil. Ainda mais se levarmos em consideração o fato de que a maioria das mulheres não consegue se dedicar inteiramente à maternidade, tendo que conciliá-la com a vida profissional: são 7,5 horas a mais de trabalho do que os homens por semana devido à chamada dupla jornada de trabalho. É o que mostrou o estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, feito a partir de séries históricas de 1995 a 2015 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Diante desse cenário, as empresas que têm benefícios diferenciados para os funcionários com filhos e para as mães que recentemente voltaram de licença maternidade se destacam e conseguem reter mais talentos.

Betânia Oliveira, Coordenadora de Qualidade, trabalhava há 10 meses na Mega Sistemas e tinha sido promovida há apenas dois dias quando descobriu que estava grávida. “Minha primeira reação foi a de conversar com meu chefe e desistir do novo cargo. O procurei no dia seguinte e disse para ele ficar à vontade para escolher outro nome, que eu estava fora. Mas a resposta que eu recebi foi: ‘Corre que você tem sete meses!'”, conta.

Essa aceitação por parte do gestor de Betânia também faz parte da orientação dada pela área de Administração de Pessoas da empresa. De acordo com Lilian, todos são instruídos a acompanhar e dar o suporte necessário às mães, flexibilizando suas cargas horárias para que possam acompanhar seus filhos periodicamente em médicos e ajudarem em sua adaptação escolar.

A Mega Sistemas, desenvolvedora de softwares de gestão empresarial, é uma das que se destaca nesse sentido.

“Dentre nossas ações, temos uma sala de amamentação, que conta com uma ótima estrutura para que as mães colham o leite, o armazenem e deem continuidade à amamentação materna mesmo após retornarem ao trabalho”, afirma Lilian Cardoso, Coordenadora de Administração de Pessoas da empresa.

Outra empresa que dá grande apoio para suas funcionárias que são mães é a ValeCard, atuante nas áreas de meios de pagamentos e gestão de frotas. Erika Silva, Gerente da Processadora, trabalha há seis anos na companhia e, há três, é mãe da Rebeca. Conciliar a vida profissional com a materna, segundo ela, requer muito cuidado e atenção. “Enquanto mulheres sabemos o quanto somos cobradas profissional e socialmente. Equilibrar os dois é uma arte. Sou muito responsável com o meu trabalho e não meço esforços para fazer o melhor. O mesmo faço com a minha família”, diz.

Já, Elisa Xavier, Supervisora de Atendimento da ValeCard, contou com um apoio incomum de sua gestora: às vésperas de seu parto, ela lavou e passou todas as roupas do futuro bebê de sua funcionária. “Até hoje, apesar de não ser mãe, minha gestora entende minha rotina e me apoia no sentido de me encorajar no meu dia a dia. Ela me motiva a desempenhar um bom papel na empresa”, afirma.

Além de todo o suporte por parte de sua gestão, a ValeCard oferece o auxílio creche para os colaboradores. “A empresa reembolsa o valor de até R$ 180, respeitando a idade mínima dos filhos, previsto em convenção”, explica Lívia Ferreira, Analista de Administração Pessoal.

 

Sobre seu dia a dia para conciliar a vida profissional com a maternidade, Elisa diz: “É um desafio, mas é gratificante. O sorriso dos meus filhos é o combustível para seguir em frente e ser uma mãe e profissional cada vez melhor”, revela.

Betânia, como Coordenadora de Qualidade da Mega Sistemas, afirma que não existe uma receita pronta para dar conta dessas duas partes da vida de quem é mãe. “Não acredito quando algumas mães dizem que estão plenas e dão conta de tudo, elas não podem ser humanas! Eu tenho metas e resultados para entregar na empresa e, como mãe, preciso manter meus filhos saudáveis, seguros e felizes na medida do possível. É nisso que eu foco”, finaliza.

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