PAIS QUE ABREM O SEU PRÓPRIO NEGÓCIO PARA FICAR PRÓXIMO AO FILHO

“Um pai presente muda tudo”. A frase, de autoria do publicitário Marcos Piangers, que ficou conhecido do grande público devido aos livros lançados com a temática pais e filhos – tudo começou com Papai é Pop – mostra uma mudança importante no comportamento dos pais de alguns anos para cá, mas que tem ficado ainda mais evidente recentemente. Se antes um pai presente era considerado quase um mártir por assumir as mesmas responsabilidade que as mães, atualmente os pais têm se dedicado a criação dos filhos da mesma forma que elas. E o mais importante: fazem isso não por se sentirem obrigados ou cobrados, mas porque querem estar mais perto dos filhos, participar da criação como os mães – e isso inclui os eventos na escola, ficar acordado de madrugada se precisar, dar colo quando necessário, e tudo mais que sabemos que as mães fazem há muito tempo, para não dizer desde sempre.

Piangers deu voz aos pais. Pais como Eliandro Maurat e Fábio Mendonça, que abriram mão de uma carreira bem-sucedida dentro de seus nichos de mercado, para se dedicar mais a criação dos filhos.

O designer Fábio Mendonça largou o cargo de Diretor de Criação de uma grande agência de publicidade para ficar mais perto da filha e se inspirou nela para criar seu negócio: uma agência para criação de logos, trilhas sonoras, personagens e mini documentários inspirados na personalidade de crianças. Ele conta que sempre gostou da rotina do trabalho, mas voltava para casa cansado, exausto, sem tempo para curtir a filha. Resolveu então investir na Desainezinho, mas ainda não ficava em casa o tempo que gostaria. Ia para o escritório próprio, obedecia um cronogramas com horários mais flexíveis, mas ainda assim ainda distante do que almejava. Então, depois de um bate papo com a esposa, que trabalha fora, resolveu partir para o home office. “A disciplina tem que ser bem maior que o normal. Mas gosto do espaço e o estou moldando pra ficar cada vez mais com cara de escritório mesmo. Minha rotina é a seguinte: levando as 6h30 e arrumo a Maria junto com a Vanessa. Por volta das 7h10, saímos a pé para a escola, que fica na beira da Praia Vermelha. Então, volto para casa para tomar café com a Vanessa, que sai às 8h30. Tomo um banho e as 9h ja estou sentadinho mandando ver no computador. Quando chega 11h, saio para buscar a minha filha a pé. Voltamos, almoçamos em casa ou na minha mãe, que fica bem perto de onde moramos. Brincamos um pouco e às 13h30 volto ao trabalho. Durante o tempo que passo trabalhando a tarde, Maria fica com a avó e a bisa, pois preciso me concentrar um pouco mais. Então, às 18h, a busco, dou banho e termino a jornada, esperando a Vanessa, que chega umas 19h30. Depois é curtir o tempo que temos juntos, os três”, detalha Fábio.

Já Eliandro Maurat, do Clubinho Salva Vidas, era dono de uma empresa de reciclagem de cartuchos e outros equipamentos de informática, mas resolveu criar um projeto voluntário que, inicialmente, não o faria sair da empresa que já tinha. O projeto tinha como objetivo ajudar as pessoas a serem mais conscientes no trânsito. E aí ele pensou em algo ligado a palestras motivacionais, que mostrassem para as pessoas como a educação no trânsito é importante etc. Só que o filho, na época com 7 anos, escutou as ideias do pai e foi além. Sugeriu que fizessem um site com jogos interativos para crianças, que seriam motoristas em alguns anos. O pai comprou a ideia, começou a pensar em todos os jogos que poderiam ser criados, e depois de todas as ideias criadas com o filho, chamou um time de desenvolvedores para fazer o programa. O projeto, inclusive, já ganhou alguns prêmios. “Eu consegui unir dois objetivos que tinha: ficar mais tempo com meu filho e ter um negócio que me desse a oportunidade de ajudar pessoas. E meu sonho foi até além, com esse projeto criado junto com meu filho. Hoje, mesmo nos momentos de trabalho, ele sempre está comigo, seja presencialmente ou com suas ideias”, comenta Eliandro.

Assim como eles, outros pais estão “mudando de lado”. E se antes a sociedade, de uma forma geral, não enxergava com bons olhos esse tipo de inversão de papéis, atualmente é muito mais comum do que imaginamos.

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