Perguntas que os filhos fazem

Outro dia, dando banho no Pedrinho rolou o seguinte diálogo:

“-Mamãe, tem criança que mora com o papai e a mamãe, não é?”
“-Isso mesmo, filhinho”, eu disse.
“-Ah, e tem criança que mora só com o papai, só com a vovó, só com a mamãe, não é?”
Eu olhei surpresa com a conversa, então, respondi que sim e perguntei se ele gostava de morar só com a mamãe, daí veio a resposta:
“-Adoro mamãe!”, disse ele junto com um abraço. E eu respirei aliviada kkk

Depois deste papo, eu fiquei me perguntando se ele começou a entender a situação e vai começar a especular o fato de eu e o pai dele não estarmos mais juntos. Por isso, resolvi ir atrás de especialistas e escrever sobre o assunto.

Segundo a psicóloga Marisa de Abreu não há uma idade certa para a criança sentir a separação , cada caso é um caso, mas conforme a criança vai entrando numa maturidade e entende o que significa separação, ou seja, ver menos um dos pais, mais a separação será sentida. É fundamental que os pais esclareçam aos filhos que o fato de se separarem não faz com que deixem de ser seus pais e de amá-los. Que o carinho e amor que sentem pelos filhos não irão mudar, porém acontecem alterações em suas rotinas.

O impacto nos menores, qual é?

Até 1 ano
O trauma da separação tende a ser menor para recém-nascidos. Nessa idade, o bebê ainda não estabelece relação de causa e efeito entre divórcio e sofrimento. Mas, ele é capaz de sentir o clima de conflito no ar e a ausência do pai. É que o sofrimento da mãe, já fragilizada e insegura com tudo o que envolve a gestação de um filho, costuma ser muito intenso, com alterações de humor que, em casos extremos, evoluem para depressão. Durante os primeiros meses de vida, a figura do homem representa segurança, acolhimento e serenidade para a família, o que contribui especialmente para a estabilidade emocional da mãe e, por consequência, da criança também. A participação paterna é decisiva no desenvolvimento do bebê, até que ele se torne suficientemente independente para romper alguns laços com a mãe, a partir de um ano de idade. Os sintomas de sofrimento de uma criança de até um ano, diante do divórcio dos pais, são inespecíficos e menos elaborados. O que existe são relatos de mudanças no sono e na alimentação, choro acentuado e excesso de irritabilidade.

De 1 a 3 anos
É a fase mais complicada para lidar com os filhos pequenos, em caso de separação. A criança já fala, mas não manifesta seus sentimentos claramente. O mais importante, aqui, é que a ausência do pai ou da mãe não deve ocorrer por períodos prolongados. Se a criança ficar com a mãe, por exemplo, o que é mais comum e até desejável, embora não seja uma regra, o contato com o pai deve ser mantido e incentivado. Em datas importantes, como aniversário da criança, pai e mãe devem estar juntos.

E como falar sobre o assunto?

A psicóloga Anette Lewin diz que é fundamental, antes de desatar a falar sobre o assunto com os filhos, procurar saber o que a criança sabe sobre o tema. “Muitas vezes, basta uma resposta curta, sem detalhes, e ela se satisfaz. Se isso não acontecer, deve haver espaço para questionar mais”, diz. Também é importante usar uma linguagem acessível e responder a tudo. “A pergunta denuncia uma inquietação da criança e precisa ser esclarecida. Mesmo que seja um assunto difícil, como a separação , os pais têm de encontrar uma maneira de responder sem enganá-la, contornando o que acreditam que não pode ser dito. A verdade apazigua o espírito do pequeno”, explica.

Não se sinta afrontada quando a criança perguntar sobre o pai. Saber e entender a própria história é um direito dela. Omissão e mentira constroem fantasmas que podem prejudicar no desenvolvimento da personalidade do seu filho!

Certo, mamães??
Se você se vê na mesma situação, me conte o que tem feito para lidar com essas questões!

Uma ótima semana!!
*Bjins*

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