Recém-nascidos e crianças com problemas respiratórios fazem parte do grupo de risco para a COVID-19

Leite materno é um fator de proteção importante para quadros infecciosos e deve ser estimulado.

Recém-nascidos e crianças que têm problemas respiratórios frequentes, mesmo sem diagnósticos fechados, devem ser consideradas grupos de risco para a COVID-19, vírus que causa o novo coronavírus. Por isso, é essencial redobrar os cuidados para evitar contaminação. Cássia Amaral, pediatra e docente do curso de Medicina da Anhembi Morumbi, integrante da rede internacional de universidades Laureate, explica que recém-nascidos têm a reserva pulmonar diminuída e pouca capacidade de expelir secreções, o que pode agravar uma situação viral. Por esse motivo, é importante proteger os bebês desde a maternidade, diminuindo o contato com outras pessoas e não receber visitas até que a situação seja normalizada.

Além disso, o aleitamento materno pode ser um fator de proteção para quadros infecciosos e, por este motivo, sua manutenção deve ser garantida. “O aleitamento materno é recomendado até pelo menos 2 anos de idade, sendo a fonte de nutrição exclusiva até o sexto mês”, explica a pediatra.

Outro grupo de crianças que precisam de atenção redobrada são aquelas que apresentam quadros infecciosos com frequência, ou seja, que sempre ficam doentes, com resfriados e problemas que afetem os pulmões. São os famosos bebês chiadores – quando não se tem um diagnóstico para asma concluído, mas que tem chances de que isso aconteça – ou que já tiveram problemas mais graves, como pneumonia e bronquiolite. “Fatores imunológicos estão muito associados à prevenção das doenças infecciosas na infância. Manter estas crianças e seus familiares protegidos, em casa, é muito importante, além de oferecer uma alimentação saudável e equilibrada”, enfatiza.

Por isso, é essencial que os pais dessas crianças evitem sair de casa, nem mesmo para passeios ao ar livre. “Apenas as leve se for essencial, como uma consulta ao pediatra, exames muito importantes ou cumprir o calendário de vacinação”, diz a especialista. Ao retornarem para casa, é necessário lavar as mãos, tirar os sapatos e roupas, colocando-as em um cesto fechado e tomar banho antes de entrar em contato com a criança. Além disso, as visitas devem ser evitadas.

Caso a criança fique doente ou tenha alguma situação que mereça atenção médica, antes de ir a um hospital, se possível entre em contato com o pediatra para orientação. Hospitais devem ser evitados, pois aumentam a exposição e risco de contágio pelo novo coronavírus. “Sabemos que nem todos tem acesso ao pediatra, então, caso precise de atendimento médico, prefira pronto-socorros infantis e tome cuidados, como o uso de máscara por adultos e crianças, além de evitar tocar em objetos e usar álcool em gel”, completa.

Educação que salva

Explicar para a criança sobre a situação pode ajudar na prevenção. Mesmo crianças bem pequenas, com dois ou três anos, podem entender que a situação merece cuidados. “Fale de maneira simples e clara, isso é, explique que estamos vivendo um momento que devemos ficar em casa para que as pessoas não fiquem doentes e que a máscara ajuda nesta prevenção quando saímos à rua. Evite palavras amedrontadoras e de difícil entendimento”, indica a especialista.

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