Se ficar doente, qual o risco de transmitir o vírus para meu feto ou recém-nascido?

Até agora, há poucos e pequenos estudos, relatando um número limitado de casos, que estão disponíveis para responder muitas perguntas, incluindo esta. A maioria das mulheres nesses casos relatou Covid-19 durante o terceiro trimestre de gravidez. Um deles, feito com nove mulheres grávidas, infectadas e com sintomas mostrou que nenhum bebê foi afetado pelo vírus, que também não estava presente no líquido amniótico, na garganta dos bebês ou no leite materno

Outra pesquisa, com 38 mulheres infectadas, constatou que nenhum dos recém-nascidos apresentou resultado positivo para a doença. Dois relatos de casos de bebês nascidos de mães infectadas com Sars-CoV-2 demonstraram que os bebês tinham níveis elevados de anticorpos para o vírus, mas não demonstraram nenhuma evidência clínica de infecção pelo vírus.


Outro relato de caso analisando 33 mulheres grávidas infectadas com Sars-CoV-2 constatou que três recém-nascidos também estavam infectados pelo vírus e apresentavam sinais clínicos de infecção, além de confirmação da infecção por Covid-19. Não está claro se esses recém-nascidos foram infectados no útero ou se essas infecções foram adquiridas após o nascimento, pois os recém-nascidos foram testados quando tinham poucos dias. A possibilidade de transmissão vertical (da mãe para o bebê) não foi descartada.

O risco de passar a infecção para o feto parece ser muito baixo. Atualmente, não há evidências de malformações ou efeitos fetais devido à infecção materna com Covid-19. Se uma mulher tiver uma infecção com febre alta durante o primeiro trimestre, é mais seguro usar acetaminofeno para baixar a temperatura para evitar riscos ao feto em desenvolvimento.

Ser infectada com a Covid-19 aumenta o risco de aborto espontâneo ou outras complicações?

Um risco aumentado de aborto espontâneo ou malformações fetais não foi documentado em mulheres grávidas infectadas. Com base em dados de outros coronavírus, como Sars e Mers, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas observou que as mulheres grávidas que contraem Covid-19 podem ter um risco maior de algumas complicações, como parto prematuro. No entanto, esses dados são extremamente limitados e a infecção pode não ser a causa direta do nascimento prematuro.

Devo continuar o pré-natal? Estou preocupada em ser exposta ao Covid-19.

Visitas pré-natais são importantes para garantir a saúde materna e fetal. No entanto, dada a atual pandemia global, muitos obstetras estão aumentando o intervalo entre as visitas ou incentivando a consulta por telemedicina. Se a gestante tiver alguma dúvida sobre a saúde dela ou do bebê, deve ligar para a equipe obstétrica. O recomendado é que as mulheres conversem com o obstetra sobre o pré-natal e continuem a comparecer às consultas, desde que o médico julgue apropriado.

Estou preocupada que médicos, mesmo obstetras, sejam desviados para um ambiente de emergência e talvez não estejam disponíveis no momento do parto.


Os hospitais são responsáveis ​​por fazer planos de contingência para emergências que possam exigir o desvio da equipe. Se sentir necessidade, a gestante pode perguntar à equipe obstétrica sobre planos de contingência. Eles devem ser capazes de mantê-la atualizada sobre qualquer alteração nos planos. A obstetrícia é um componente essencial da saúde e é provável que um médico treinado em obstetrícia esteja presente no momento do nascimento do bebê. 

Estou preocupada em passar um tempo no hospital após o parto. Isso poderia aumentar meu risco de exposição ao Covid-19?

As equipes médicas estão tentando minimizar o número de pessoas que chegam aos hospitais. Existem regras para garantir que qualquer pessoa que precise avaliar o Covid-19 seja isolada de outros pacientes. Toda a equipe médica está trabalhando duro para garantir que o risco de exposição seja baixo. Nos hospitais, muitas precauções estão sendo tomadas para minimizar os riscos de exposição. Se a gestante optar por não ficar internada após o nascimento do bebê, pode ser possível voltar para casa mais cedo do que normalmente faria, desde que se sinta bem e que o parto não tenha sido complicado. O ideal é conversar antes com a equipe obstétrica sobre esse desejo.

Se testar positivo para Covid-19, posso amamentar meu bebê?

Atualmente, não há evidências do vírus no leite materno. Dado que ele se espalha por gotículas respiratórias, as mães devem lavar as mãos e considerar o uso de uma máscara facial para minimizar a exposição dos bebês ao vírus. O Royal College of Obstetricians & Gynecologists, com sede em Londres, por exemplo, recomenda que as mães infectadas com Covid-19 usem o leite de outra mulher para alimentar o bebê. E que se certifiquem de higienizar as mãos e a limpar adequadamente as peças da bombinha de mama. No entanto, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, também da Inglaterra, afirmou que lavar as mãos e usar uma máscara facial deve minimizar os riscos para o bebê.

Lembrando que o Ministério da Saúde soltou a seguinte nota sobre o tema: “As gestantes e puérperas são mais vulneráveis a infecções e, por isso, estão nos grupos de risco do vírus da gripe. Estudos científicos apontam que a fisiopatologia do vírus H1N1 pode apresentar letalidade nesses grupos associados à história clínica de comorbidades dessas mulheres. Sendo assim, para a infecção pelo covid-19, o risco é semelhante pelos mesmos motivos fisiológicos, embora ainda não tenha estudo específico conclusivo. Portanto, os cuidados com gestantes e puérperas devem ser rigorosos e contínuos, independentemente do histórico clínico das pacientes”.

Vale frisar que as recomendações e diretrizes continuarão a mudar à medida que os profissionais da saúde e cientistas aprendam mais sobre esta nova doença.

Fonte: Arnaldo Schizzi Cambiaghi é responsável técnico do Centro de Reprodução Humana do IPGO, ginecologista obstetra com certificado em reprodução assistida. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros.  

Deixe uma resposta