Surtos de raiva e agressão representam grandes riscos á adolescência

Em 2001, o Surgeon General of the US divulgou um relatório afirmando que a rejeição representava um risco maior para a violência adolescente do que drogas, pobreza ou associação a gangues

Rejeição provavelmente é um dos piores sentimentos experimentados em nossas vidas independente de onde ela seja. Seja por abandono materno ou paterno, relacionamento amoroso, quebra de amizade, quebra de aliança.

Independente da situação a rejeição causa dor e traumas. Muitas vezes, você não entende o comportamento de um adolescente, e acaba julgando por não entender o que leva esse adolescente, muitas vezes, ser até mal educado, frio, fechado demais, inseguro, e por algumas atitudes acaba se afastando dele, enquanto na verdade é a forma que ele encontrou de te pedir socorro.

Quando os filhos adolescentes têm repetidas atitudes de agressão física ou verbal, é hora de ligar o sinal de alerta. A agressividade é o sintoma de que algo pode não estar indo bem na condução da educação dada pelos pais ou de que os filhos estão passando por conflitos pessoais para os quais necessitam de ajuda. Segundo Quézia Bombonatto, psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), a agressividade é uma das formas de comunicação que as pessoas têm para expressar sentimentos e desejos. “Não é a maneira mais correta, mas talvez seja a única forma que o filho aprendeu a usar nos momentos de angústia, ansiedade e frustração”, diz Quézia. Cabe aos pais procurar entender as causas do comportamento agressivo do filho, por meio da aproximação e do diálogo, estabelecer limites ao jovem e procurar mostrar a ele que existem outras maneiras de se expressar e de resolver seus problemas.

Na adolescência, o bullying, que é uma forma de rejeitar o próximo, também deixa marcas profundas em quem sofre. Na infância, quando as crianças do parquinho se recusam a brincar com seu filho, pode marcá-lo para sempre.

No próprio ambiente familiar podemos encontrar muitos casos de rejeição. Pais que desaprovam o sonho de vida dos filhos, não gostam de um traço de sua personalidade ou rejeitam a sua sexualidade. Situações como essas se repetem diariamente no Brasil. Dinâmicas familiares negativas podem impulsionar o aparecimento do complexo de rejeição. 

Entre todas essas vertentes, a mais difícil de lidar é a rejeição familiar. O desafio se torna muito maior devido à necessidade que o ser humano tem de estar vinculado a um grupo. Ou seja, quando a noção de pertencimento é vaga ou duvidosa, as emoções são abaladas e as relações, profundamente prejudicadas.

Logo, a correlação entre fatores ligados à aceitação-rejeição pelos pais pode gerar outros agravos à saúde mental, tais como:

  • ideações suicidas;
  • apatia e irritabilidade;
  • excessiva agressividade;
  • tendência ao maior isolamento social;
  • depressão, bipolaridade e afeto deprimido; 
  • sentimento de culpa pelas brigas de família;
  • problemas de relacionamento social e afetivo;
  • maior dificuldade para permanecer na escola ou no emprego;
  • revolta e não obediência aos pais, professores ou autoridades civis;
  • comportamento que leva aos transtornos de condutas e à delinquência.

A psicóloga do Hospital Santa Mônica Ayde Câmara, enumerou algumas práticas que podem ajudar a minimizar os problemas resultantes da rejeição familiar. Confira:

  • preservar a autoridade dos pais sobre os filhos;
  • priorizar um clima de paz e harmonia dentro de casa;
  • compreender que cada ser é único e tem suas particularidades;
  • organizar a rotina e fazer refeições em família durante a semana;
  • estabelecer uma rotina de diálogo em busca de soluções para eventuais conflitos;
  • respeitar, ao máximo, as diferenças de opinião entre os membros da família;
  • realizar passeios e programas em família para aumentar o vínculo de confiança.
  • procurar ajuda psicológica e psiquiátrica para solucionar problemas graves e estabilizar as emoções.

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