VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: ACABE COM ISSO

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A Lei Maria da Penha completou ontem 10 anos: uma década de muitos avanços.

Xingar, empurrar, agredir verbalmente, bater, impedir de sair e obrigar a fazer sexo, são alguns dos tipos de agressões que passaram a ser punidas a partir da vigência da Lei nº 11.340 ,  sancionada em 7 de agosto de 2006.

O crescente volume de denúncias é reflexo positivo da ampliação do conhecimento dos direitos da mulher. Em 2015 foram mais de 76 mil relatos de violência contra a mulher.

O caso da ex-modelo Luíza Brunet, que após ser agredida inúmeras vezes denunciou o companheiro. Casos como este, embora sejam tristes, mostram às mulheres que a violência está em todas as camadas sociais e mais, que não devem se envergonhar de delatar o parceiro violento. Creio que o gesto dela estimulou muitas mulheres humildes a denunciarem seus agressores.

“Queremos mostrar por meio de campanhas como ‘Cabeça de Mulher’ que o poder público se importa com as mulheres agredidas e que a cultura da violência precisar ser extinta”, defende a coordenadora do Cemulher.

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Ainda temos muito que alertar, informar e divulgar! Recentemente uma mãe contou ao blog a sua dificuldade em denunciar e se livrar do agressor..

“- Eu, uma “menina” de 19 anos, que só queria ser amada e cuidada, assim começou tudo. Conheci meu ex marido pela Internet, 20 anos mais velho,  experiente,  um verdadeiro príncipe encantado.  Vivi um sonho , em três meses estávamos morando juntos. Tudo perfeito, e em três meses descobri que estava grávida. 

Eu com 20 anos na época e ele 40, era a primeira filha dos dois.  E o meu sonho continuava,  estava mais feliz do que nunca, minha família era abençoada.  Antes da gravidez tínhamos uma vida bem agitada,  saíamos sempre,  mas com a gravidez ele começou a sair mais sozinho,  Eu não me importava, ele tinha os seus amigos,  por falar em amigos eu já não tinha mais nenhum,  Ele não gostava e eu evitava brigas. E 2012 a nossa princesa nasceu,  Eu já não era tão disposta , passava o dia todo com a minha filha, eu sempre estava cansada.  Um ano e 4 meses após o nascimento da minha filha, ela começou a se afastar,  Eu sentia que tinha algo estranho,  ele já não era tão dedicado como antes. Eu parei de trabalhar para cuidar da nossa filha,  só saía com ela e vivia para os dois. O inevitável aconteceu,  ele do nada quis se separar,  Eu não acreditava, meu sonho virou pó da noite para o dia, não demorou muito para eu descobrir a outra, uma ex namorada dele que reapareceu e ele resolveu me abandonar.  Estava eu sem amigos, emprego , formação e sofrendo como nunca pensei que poderia sofrer.

Bem, um ano e quatro meses após todo o sofrimento ele quis voltar,  e sim muitas coisas aconteceram nesse tempo,  Eu o amo e achei que tinha perdoado por tudo que tinha me feito a voltamos.  Acontece que depois de um ano e quatro meses sozinha eu mudei muito. Eu não era mais aquela menininha sonhadora , eu amadureci muito.  Ser mãe solteira me fez virar uma mulher com um olhar muito mais realista da vida e principalmente do casamento. Eu já não era tão submissa e nós tínhamos muitos problemas por isso. Eu tinha mudado muito e ele continuava o mesmo. Nossa convivência estava  um inferno. Logo comecei a perceber ele estranho novamente, frequentávamos um grupo religioso e percebi que ele estava encantado com uma das frequentadoras,  e ela correspondia. Eu estava mais forte do que a primeira vez e decidi deixar rolar. Fui aguentando, até que um dia a minha filha chorou pq ele não estava com a gente em uma festa. Naquele dia decidi que não iria mais aguentar.

Quando ele chegou bêbado discutimos, pedi que ele fosse embora e ele se recusou,  então peguei a minha filha dormindo e fui para porta, nessa hora ela me deu um soco, pegou nossa filha e levou para o quarto.  Quando voltou começou a me surrar,  me bateu muito tentando me colocar para fora do apartamento,  não sai e aguentei a surra até a hora que ele cansou.  Chamei a polícia e nada fizeram, para resumir, fui indicada à não denunciar a fazer um acordo, já que eu não trabalho e sou sozinha , assim conseguiria manter a vida da minha filha igual. Fiz o acordo mas nunca chegou a ir para o juiz.  Para finalizar ele já não tem mais tanto dinheiro como tinha,  a amante largou ele, e eu quebrei a cara. Quando não concordo com ele ,começam as ameaças, ele diz que vai tirar a filha de mim, vai me deixar na rua e etc. …

Quero correr atrás dos meus direitos. Quero trabalhar,  mas está difícil encontrar. Hoje estou totalmente na mão dele,  procurando emprego e tentando não me desesperar. Não tenho cabeça para pensar em nada …só quero um emprego para que eu consiga sair um pouco do controle dele.  Não me envergonho de ser mãe solteira e sinto mais preconceitos das mulheres do que dos homens. Perdi “ amigas” por não ser mais uma mulher casada. Infelizmente o mercado de trabalho não é muito aberto a mães solteiras.
Tenho esperança que logo essa tempestade vai passar e as lições ficarão para sempre. Faço tudo pela minha filha, e é por ela que decidi não aguentar mais nenhum sofrimento.  Quero que ela faça exatamente o que não fiz.  Quero que seja independente e nunca entregue à vida dela na mão de ninguém,  pensei que tinha conhecido um príncipe,  mas ele se tornou o meu algoz e tenho  um laço eterno com ele“, finaliza  Camila.

Se você quer ajudar a Camila, não a julgue e deixe nos comentários mensagens que possam orienta-la de alguma forma, porque quando estamos de fora nós enxergamos tudo melhor.

Aquele chavão ‘em briga de marido e mulher ninguém mete a colher´, perdeu o sentido. Mete e devemos meter porque temos uma lei já conhecida por 98% da população, que sabe que quem comete atos de violência contra a mulher será punido.

Em caso de dúvida sobre como buscar ajuda ou ajudar vítimas de violência doméstica, Ligue 180.

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